Paolicchi vai depor novamente em Maringá
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domingo, 11 de fevereiro de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
O ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, vai depor novamente na Justiça Federal na próxima sexta-feira. O pedido foi feito anteontem por um dos advogados dele, Wagner Pacheco, e acatado imediatamente pelo juiz Anderson Furlan Freire da Silva. Logo após o depoimento dos dois ex-prefeitos de Maringá, Jairo Gianoto e Said Ferreira, ambos sem partido, que terminou na sexta-feira por volta das 23h30, Pacheco disse à Folha que Paolicchi vai fazer novas revelações.
Um dos fatos que ficaram sem esclarecimento, segundo o advogado, foi o número de reuniões realizadas entre Jairo Gianoto e Said Ferreira no apartamento de Paolicchi. Enquanto Gianoto declarou ter participado de uma reunião, Said Ferreira garante que foram dois encontros. Se for preciso vamos pedir uma acareação entre os três, adiantou Pacheco. Durante o depoimento, Gianoto reconheceu também a autoria de bilhetes encontrados em poder de Paolicchi.
Vários bilhetes, segundo Pacheco, pediam a Paolicchi o pagamento de valores, que no total chegam a R$ 1,4 milhão. O ex-prefeito alega que administrava as fazendas de Paolicchi em Nova Mutum (MT), e que os bilhetes pediam pagamento de serviços e produtos para as propriedades. A esposa de Gianoto, Neusa Gianoto, em depoimento do Ministério Público, alegou que o marido não explorou áreas de terras pertencentes a Fazenda Rio Brilhante, até então de propriedade de Paolicchi. A Rio Brilhante fica em Nova Mutum.
Para o advogado de Paolicchi, os depoimentos deram um novo rumo ao processo. Ele não quis comentar detalhes sobre aquilo que julga ajudar o seu cliente, mas destacou que a ex-secretária dele na prefeitura, Raquel Budzinsky, passou informações importantes e de forma clara e firme. Raquel disse que além de quase todos os ex-vereadores de Maringá, deputados, um coordenador de campanha do governador Jaime Lerner (PFL) e uma secretário do ex-prefeito Said Ferreira frequentavam o gabinete de Paolicchi nos últimos quatro anos.
Said, o último a depor no final da noite de sexta-feira, alegou que a secretária das empresas da família, também identificada como Raquel, ia ao gabinete de Paolicchi por causa de dívidas de campanha. O ex-prefeito disse ao juiz que mesmo depois de deixar a prefeitura, empreiteiras que ele não identificou, repassavam ajuda de campanha. A secretária dele então procurava Paolicchi para apanhar dinheiro, que serviu para pagar dívidas da campanha. Na época, Said apoiou o hoje procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, que foi candidato a prefeito em 1996.
Segundo Said, o dinheiro para a campanha não saiu da prefeitura. A forma de fazer campanha eleitoral é humilhante, alegou Said, lembrando que hoje graças a Deus está fora da vida pública. O ex-prefeito voltou a lembrar que é autor da denúncia contra Paolicchi e Gianoto, e que não nunca recebeu dinheiro dos dois. Cheguei a pedir investigação sobre a evolução patrimonial de Paolicchi quando fui prefeito, mas nada encontramos, disse.


