Paolicchi usava Copel para fazer desvios
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de fevereiro de 2001
Leandro Donatti De Curitiba 
Auditoria contratada pelo ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto e concluída em dezembro passado, depois de seu afastamento por ordem judicial, revela desvio de US$ 12.236.878,30 (o equivalente a R$ 24.473.756,60) mediante a emissão de cheques administrativos e descontos feitos na boca do caixa de banco. O ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi, que está preso, utilizava, segundo o relatório, a Companhia de Energia do Paraná (Copel) nos golpes. O dinheiro da prefeitura foi movimentado por Paolicchi entre 1990 e 1996, através da conta corrente 0060002-8 (agência 1.546 da Caixa Econômica Federal), a mesma onde foram encontrados os R$ 2,6 milhões que deram início às investigações pelo Ministério Público, em outubro de 2000.
Para que o desvio fosse maquiado parte de um esquema que pode representar um rombo de mais R$ 100 milhões os cheques eram emitidos como se fossem pagamento à Copel, mas os repasses não chegavam à estatal, de acordo com a auditoria. A Senior Auditores e Consultores, empresa contábil de Maringá, detectou que Paolicchi emitia cheques para pagar faturas verdadeiras, mas que eram desviados, ou pagava contas que não existiam, por serviços que não foram prestados pela Copel, segundo a auditoria. Houve casos em que a soma dos valores pagos no movimento do dia não corresponderam aos valores dos cheques encontrados, aponta o documento.
Numa consulta feita à Copel, os auditores descobriram que a única transação entre prefeitura e estatal era o desconto, pela Copel, de valores cobrados como taxa de iluminação pública. A irregularidade só foi detectada depois de um encontro de contas.
Entre dezembro de 1992 e dezembro de 1996, as faturas da prefeitura junto à Copel somavam, segundo a auditoria, US$ 14,5 milhões (R$ 29 milhões). A Copel não forneceu os números desde 1990, início do período analisado, alegando que seus arquivos contábeis após certo tempo são inutilizados.Sendo que a taxa de iluminação devida pela Copel no mesmo período correspondia a US$ 13,3 milhões (cerca de R$ 26,6 milhões).
Entretanto, em vez da compensação de débitos, os auditores detectaram desembolso financeiro da prefeitura. Para rastrear os cheques emitidos indevidamente em favor da Copel, os auditores solicitaram ao MP cópias de cheques emitidos entre janeiro de 1987 e julho de 2000, obtidas mediante quebra de sigilo bancário.
Os auditores ressaltaram que o relatório é ainda parcial, já que não tiveram acesso a toda a documentação e que o desvio, de R$ 24,4 milhões, foi apurado somente na conta da CEF. Salientamos que a movimentação bancária com a Caixa (...) é inferior àquelas ocorridas nos Banestado e Banco do Brasil, consta do relatório entregue ao ex-prefeito John Correa (PMDB), vereador que assumiu a prefeitura no lugar de Gianoto.
A auditoria alega ainda que os valores emitidos para quitar despesas com a Copel, no caso da conta da Caixa, foram sacados no banco através de endosso. Todos os cheques contavam com no mínimo duas assinaturas. A assinatura de Paolicchi foi identificada em todos. Assinavam ainda o ex-secretário da Fazenda Jorge Sossai e a servidora Rosemeire Castelhano. Houve um caso de saque, na boca do caixa, sem endosso. Outra prática comum, no período, foi a compra de cheques administrativos da agência da CEF.


