Paolicchi tem regalia de celular na prisão
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2001
Marta Medeiros Especial para a Folha De Maringá 
O ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, estava, até ontem, usando telefone celular na cela do 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM), onde está preso desde o dia 8 de dezembro. Acusado pela Justiça Federal de formação de quadrilha, sonegação fiscal, peculato e lavagem de dinheiro, Paolicchi conseguiu o telefone por meio de um de seus advogados, Moisés Zanardi.
O procurador da República Natalício Claro da Silva disse que pode pedir hoje ao juiz que oficie o Batalhão para que o comando explique a forma de tratamento dispensado a Paolicchi. A lei não proíbe expressamente o uso de celular, mas entendemos que não é recomendável, disse o procurador, titular do Ministério Público Federal (MPF) em Maringá. Ele lamentou o fato de o decreto que regulamenta prisão especial não fazer referência ao uso de telefone celular. A lei é antiga e o celular um advento novo.
O uso do celular mostra que Paolicchi conquista aos poucos regalias que o comando do BPM sempre negou. O capitão Devaldir Geraldo Amadei disse ontem que não havia visto Paolicchi com celular. Ele afirmou que o ex-secretário é problema da Justiça Federal e que o Batalhão trata o preso de acordo com a determinação judicial.
O capitão disse ainda que não tinha orientação sobre o uso de celular pelo preso. Sigo ordens do comando de que Paolicchi é preso da Justiça e nada mais tenho a informar, ressaltou. O comandante do 4º BPM, Gilberto Kummer, está em férias e o substituto, major Joacir José da Silva, não quis atender a imprensa.
Segundo o juiz Anderson Furlan Freire da Silva, responsável pelo processo do ex-secretário, o Batalhão tem completa autonomia no tratamento a Paolicchi. Ele afirmou que quando determinou a permanência dele no 4º BPM oficiou apenas ao comando que as normas a seguidas seriam do artigo 3º do decreto de prisão especial. O artigo tem 11 incisos e nenhum deles contempla o uso de celular.
Zanardi confirmou no fim da tarde de ontem que o celular estava com o seu cliente. Quando a Folha teve acesso ao número, ainda no início da tarde, o telefone foi atendido por Paolicchi que, receoso, afirmou que o celular era de Moisés de Alencar. No momento em que começou a ser questionado, ele desligou o telefone.
A Justiça Federal pode proferir até março a sentença sobre o processo envolvendo o ex-secretário de Fazenda. Pelos crimes dos quais é acusado, ele pode pegar até 30 anos de prisão, pena máxima concedida no Código Penal brasileiro. Nos dias 8 e 9 de fevereiro, a Justiça irá ouvir oito testemunhas de defesa de Paolicchi.
O ex-secretário também responde na Justiça comum junto com o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido), a uma ação de improbidade administrativa. O MP investiga desvios de R$ 30 milhões, mas os valores desviados dos cofres públicos podem chegar a mais de R$ 100 milhões.


