Maringá O Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, de Porto Alegre, negou habeas-corpus ao ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luiz Antônio Paolicchi, que está preso na Delegacia da Polícia Federal, e que usou o recurso para tentar voltar para um quarto do Batalhão da Polícia Militar de Maringá. Em dezembro, o TRF havia negado a liminar e desta vez julgou o mérito do habeas-corpus. O ex-secretário tenta a transferência para o batalhão desde setembro do ano passado quando foi levado para a cela da PF. Paolicchi foi preso em dezembro de 2000.
A defesa de Paolicchi alega que o cliente está enfrentando ''sérios problemas de ordem psíquica devido ao isolamento'' e necessita de um atendimento especializado. Apesar do argumento da defesa, laudos de médicos que cuidam do ex-secretário atestam que Paolicchi tem um ''quadro de fobias específicas e episódio depressivo moderado, com sintomas somáticos'', mas não precisa de internamento hospitalar, apenas ambulatorial. A decisão da 8 Turma do TRF da 4 Região foi por maioria.
Paolicchi foi condenado em janeiro do ano passado à pena de nove anos de prisão em regime fechado pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em um processo que apura o desvio de R$ 2,6 milhões entre dezembro de 1998 e março de 1999 da Prefeitura de Maringá. Tanto a defesa como o Ministério Público Federal apelaram da condenação que ainda está sendo analisada por uma turma recursal do TRF. O MPF tenta o aumento da pena, alegando entre outras coisas, a condenação também pela prática do crime de formação de quadrilha.
Em dezembro de 2001, a Folha mostrou uma série de regalias ao ex-secretário no Batalhão da PM de Maringá. Paolicchi estava instalado em um quarto onde as visitas tinham livre acesso. Ele mantinha ainda professores de inglês e utilizava inclusive a academia de ginástica do batalhão. Na ocasião, o comando da PM negou as regalias e o próprio MPF informou que era difícil controlar a prisão do ex-secretário porque a Procuradoria da República não tem poderes sobre um local de âmbito estadual.
A última denúncia, que culminou com a transferência do ex-secretário para a cela da PF foi de um sargento que revelou que Paolicchi estava pagando reformas no prédio do batalhão e cometendo ingerência na corporação.
Paolicchi responde na Justiça Federal a um outro processo criminal, por desvio de R$ 1,8 milhão, junto com o ex-prefeito Jairo Gianoto, a ex-primeira-dama Neusa Gianoto, um empresário e servidores da prefeitura. Na Justiça Estadual, o ex-secretário também é réu de uma série de processos que pedem a devolução do dinheiro desviado. O Ministério Público Estadual apurou desvios na ordem de R$ 100 milhões nas três gestões em que Paolicchi esteve a frente da Secretaria Municipal de Fazenda.

mockup