O promotor José Aparecido da Cruz fez ontem 60 perguntas ao ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, e recebeu ‘‘não’’ como única resposta durante duas horas de depoimento. O interrogatório foi realizado na sala do sub-comando do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPM), onde Paolicchi está preso desde dezembro do ano passado.
Cruz marcou o depoimento para tentar conseguir informações para o inquérito que deve servir de base para uma nova ação de improbridade administrativa contra o ex-secretário. Ele afirmou que saiu frustrado do depoimento. ‘‘A expectativa era de que ele falasse’’, lamentou. Segundo o promotor, esta ação terá uma série de envolvidos, entre políticos e empresários, cujos nomes ainda não podem ser revelados. ‘‘O MP ainda investiga as ligações do ex-secretário e os pontos onde o dinheiro foi parar e conta com a ajuda de outras promotorias e procuradorias para concluir o procedimento.’’
O promotor é responsável por uma outra ação de improbidade que arrola como réus o ex-secretário e o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido), por desvios na prefeitura. Segundo ele, Paolicchi tem muito a revelar mas agiu orientado pela defesa.
Para um dos advogados de Paolicchi, Wagner Pacheco, o seu cliente ‘‘não fala com o acusador, mas somente com o julgador’’. ‘‘Desde sexta-feira passada avisamos ao MP que Paolicchi não falaria’’, acrescentou. Conforme Cruz, o MP não age como uma figura acusadora porque tem como certo o desvio de dinheiro público da prefeitura. ‘‘Passam de 100 os fatos irregulares e ilegais constatados pelo MP e cada fato pode ser transformado em uma ação, mas optamos em reunir todos em um só processo’’, explicou o promotor.
Pacheco contestou as acusações de corrupção, afirmando que ‘‘Paolicchi apenas foi usado no esquema de desvio’’. O advogado não quis denominar quem usou Paolicchi e afirmou apenas que os nomes já constam dos autos do processo. ‘‘O dinheiro que Paolicchi tem é fruto de um patrimônio formado com o seu trabalho’’, defendeu. Ironicamente, ele disse que, durante as duas horas, o promotor e seu cliente ‘‘ficaram falando sobre futebol’’.
Além de responder na Justiça comum por improbidade, Paolicchi é réu em processo da Justiça Federal que o acusa por peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e sonegação fiscal. O MP já apurou que o dinheiro desviado era lavado em Londrina.
Depois de prestar depoimento, Paolicchi ficou por quase três horas fora da sua cela. Amparado em um pedido dos advogados de defesa que temem a ‘‘superexposição do cliente na mídia’’, o comandante do 4º BPM, coronel Gilberto Kummer, tentou fazer de tudo para afastar a imprensa do ex-secretário.
Ao final, em uma operação rápida que durou menos de um minuto, policiais do serviço reservado e do Tático Móvel tiraram o ex-secretário da sala, levaram para um Kadett descaracterizado da PM e percorreram em alta velocidade cerca de 300 metros que separam o prédio do comando da cela de Paolicchi.

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