Paolicchi passa aniversário sem visitas na prisão
O ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, passou seu aniversário de 44 anos ontem praticamente sozinho na sala transformada em cela especial do quartel do 5º Grupamento de Bombeiros, onde está preso desde a sexta-feira. Paolicchi é acusado do desvio de R$ 3,1 milhões da prefeitura, além de sonegação fiscal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato. Ele está com os bens indisponibilizados pela Justiça e teve a prisão preventiva decretada em 16 de outubro. A prisão, porém, só foi concretizada na última quinta-feira pela Polícia Federal em um hotel de Florianópolis (SC).
Segundo familiares do ex-secretário, a mãe dele, Teresa Beloso Paolicchi, ainda não está sabendo da prisão do filho. Um parente dele confidenciou à Folha que Teresa viajou anteontem para Indaiatuba (SP), onde tem uma filha. Ela fará exames médicos no interior de São Paulo.
Outros parentes do ex-secretário, que alegam ter tentado contato com ele desde sábado, garantem não ter conseguido. Apenas um primo, segundo informações dos próprios familiares, falou rapidamente com Paolicchi no momento da chegada no quartel dos bombeiros, na sexta-feira à tarde. Anteontem o tenente-coronal Almir Porcides Júnior, comandante dos bombeiros, informou à Folha que parentes e empregados de Paolicchi estiveram no quartel.
Ontem os bombeiros de plantão se recusaram a dar informações sobre visitas na cela. Todos alegam cumprir ordem do comando, impedindo inclusive a presença de jornalistas e de curiosos na calçada em frente ao quartel. Um oficial, que pediu para não ser identificado, revelou apenas que algumas pessoas tentaram visitar Paolicchi. Mas que o próprio ex-secretário optou por não receber quem o procurou.
O bombeiro não soube informar se Paolicchi ganhou alguma alimentação de fora ou mesmo um bolo de aniversário. Os soldados só confirmaram que ele almoçou a comida servida ao pessoal de plantão: arroz, feijão, macarrão, maionese e bisteca de porco.
Um dos advogados, Moisés Zanardi, disse ontem que o ex-secretário está bem melhor. Fontes da Folha revelam que Paolicchi está 14 quilos mais magro. A conversa que tivemos com ele foi confidencial, disse Zanardi. Ele confirmou que as pessoas que tentam visitar Paolicchi nem sempre conseguem. Anteontem alguns amigos dele me ligaram reclamando, mas lá é um quartel e tem regras rígidas, lembra.
Mesmo os advogados, revela Zanardi, têm horário restrito. Mas as condições dele são razoáveis, diz. O quarto onde Paolicchi está serve de alojamento a oficiais e médicos do Siate de plantão. Tem ar condicionado, TV, frigobar e banheiro conjugado. A porta fica trancada e policiais militares fazem a vigilância a partir do pátio. O quarto tem também um ramal telefônico. Um soldado disse ontem que para passar ligações é necessária autorização do oficial do dia. O ex-secretário não quer dar entrevistas.
Zanardi acredita que dificilmente o juiz vai ouvir Paolicchi hoje. Os advogados vão aguardar a audiência para pedir a liberdade dele.
O depoimento de Paolicchi deve comprometer muita gente. Durante depoimento de sete horas à PF de Santa Catarina, logo após ser preso, Paolicchi teria declinado o nome de diversas pessoas. Algumas influentes na cidade ou mesmo no Paraná, conforme adiantou um dos representantes da Justiça que teve acesso ao depoimento.
A Polícia Federal deve também começar hoje a analisar uma agenda e papéis apreendidos com o ex-secretário. Entre os documentos está um comprovante de venda de uma aeronave, que pode ser o Lear Jet prefixo PT-LDM, avaliado em R$ 4,5 milhões e indisponibilizado pela Justiça. Junto com Paolicchi foram apreendidos também comprovantes de depósitos e cópias de cheques que também podem revelar as ligações dele com outros envolvidos.
Hoje o empresário londrinense Alberto Youssef será ouvido pelo Ministério Público (MP) sobre sua relação com Paolicchi. Youssef está preso no 3º Distrito Policial de Londrina há seis dias, acusado de lavar em conta fantasma do Banestado R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina em licitação fraudulenta. O delegado do 3º DP, Valdir Abraão da Silva, informou que o depoimento será às 14 horas, provavelmente na Promotoria de Investigações Criminais (PIC).
Segundo apurou auditoria interna realizada na Prefeitura de Maringá, Youssef recebeu em 96 diversos cheques da administração. O doleiro também teria sido beneficiado com um cheque de R$ 34.872 da conta de Waldemir Ronaldo Corrêa, servidor municipal e ex-assessor de Paolicchi, considerado o principal laranja do ex-secretário. O MP ainda suspeita que aviões de Paolicchi operavam numa empresa de táxi aéreo de Youssef. (M.Z. e colaboração de Lúcio Horta, de Londrina)





