Paolicchi pagou reformas no BPM, acusa sargento
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Marta Medeiros<BR>Equipe da Folha 
Maringá As denúncias que originaram o pedido de transferência do ex-secretário de Fazenda de Maringá Luiz Antônio Paolicchi do 4º Batalhão da Polícia Militar para uma cela comum da Polícia Federal partiram do sargento Edson Leôncio Siqueira. Foi a primeira vez que um oficial teve coragem de prestar depoimento ao Ministério Público Estadual (MP) para falar da ingerência do ex-secretário no batalhão. Paolicchi permaneceu no BPM desde a sua prisão, em dezembro de 2000. A transferência para uma cela da PF ocorreu anteontem, por determinação da Justiça Federal.
Nos autos do processo sobre Paolicchi, o MP relata o depoimento do sargento, feito no início do mês ao promotor José Aparecido da Cruz. Siqueira conta que se surpreendeu quando discou para o ramal do policial responsável pela segurança do ex-secretário, mas o telefonema foi atendido por Paolicchi.
No depoimento, Siqueira afirmou que Paolicchi chegou a declarar que, ''para o governo dele (do sargento), era ele quem estava bancando'' as reformas da cozinha da sala de operações do batalhão, incluindo a compra da geladeira, fogão, botijão de gás, além de ter custeado a construção do muro do quartel.
O sargento procurou o oficial do dia no batalhão e as denúncias foram formuladas ao MP. Segundo ofício assinado por Cruz, o sargento confirmou os fatos ''sem vacilar'', dando conta da ''audácia'' de Paolicchi. No dia 10, o MP recomendou ao comandante do batalhão, Erbt da Silva, que parasse de usar dinheiro do preso.
A Folha procurou o promotor, mas ele não quis dar entrevistas e também não confirmou se o MP abriu procedimento para investigar as denúncias do sargento. O tenente Ideval de Oliveira, responsável pelo setor de Comunicação Social do 4º BPM, disse que o comando determinou a abertura de uma sindicância. Segundo ele, a situação de Siqueira continua normal dentro do batalhão.
Um PM ligado ao comando do BPM que pediu para não ser identificado afirmou que o sargento corre risco de ser transferido e que foi ameaçado por oficiais. A Folha procurou o sargento, mas ontem não havia expediente no BPM.


