Paolicchi não aparece para depor na Justiça em Maringá
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de novembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
O ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, não apareceu ontem para depor na Justiça Federal, onde responde junto com outros servidores por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e peculato. Um dos advogados dele, Moisés Zanardi, disse que Paolicchi não está preparado para depor, mas que vai se apresentar em alguns dias. Desde o primeiro prazo dado pela Justiça, 30 de outubro, os advogados afirmam que Paolicchi vai se apresentar. Ontem foi o último prazo estipulado. Agora o processo corre à revelia.
Hoje, o juiz Anderson Furlan Freite da Silva, da Vara Criminal Federal, vai publicar a decisão sobre a continuidade do processo. Segundo o secretário da Vara Federal, João Cláudio Moraes Caiçara da Silva, o advogado de Paolicchi pediu ontem cópia dos autos, para montar um pedido de relaxamento da prisão. Zanardi confirmou a informação, e garantiu que Paolicchi está no Brasil. Não me avistei pessoalmente com ele desde o início do processo. Falamos apenas por telefone, garantiu.
Zanardi garantiu ainda que por enquanto não existe estratégia de defesa, que será apresentada dentro do prazo. Sem o depoimento de Paolicchi, o processo corre normalmente, com prazo de três dias para a defesa apresentar as testemunhas, que serão ouvidas posteriormente. O ex-secretário, no entanto, pode se apresentar para depor a qualquer momento, mesmo depois da sentença. Segundo outro advogado que atua para Paqolicchi, Wagner Brusculo Pacheco, de Umuarama, faltam documentos para elaborar a defesa.
Pacheco declarou a uma TV que Paolicchi está no País, e que a ausência dele ontem já estava comunicada. Ele alega ainda que o comportamento do ex-secretário não prejudica a defesa, que será feita pelos advogados contratados.
Paolicchi é acusado de desviar R$ 3,1 milhões da prefeitura, embora uma fonte da Folha afirme que o rombo pode alcançar R$ 100 milhões. A primeira denúncia, feita pelo Ministério Público em 4 de outubro, envolve ainda os servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa, que estava afastado da prefeitura para assessorar Paolicchi. O valor na época chegava a R$ 2,6 milhões. Os outros três acusados já prestaram depoimento à Justiça Federal, e negaram conhecer o esquema de desvio.
Os outros R$ 549 mil desviados envolvem o prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido). Ele foi incluída na ação do MP no final de outubro, teve os bens indisponibilizados, foi afastado judicialmente e pode ser cassado por uma CP da Câmara. Gianoto foi denunciado também criminalmente e responde a ação criminal no TJ. Na semana passada, o desembargador Telmo Cheren, do TJ, determinou o sequestro de um avião de Gianoto. O pedido já foi repassado ao Ministério da Aeronáutica.


