Maringá O ex-secretário de Fazenda de Maringá Luiz Antônio Paolicchi, condenado em primeira instância a nove anos e 15 dias de prisão pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e sonegação, foi transferido ontem para uma cela comum da nova sede da Polícia Federal. Paolicchi ocupava há um ano e oito meses um quarto especial do 4º Batalhão da Polícia Militar. O ex-secretário é um dos únicos presos do País por envolvimento em esquema de corrupção com dinheiro público.
A transferência foi determinada pelo juiz federal Edvaldo Mendes da Silva a partir de um requerimento do Ministério Público Federal. O MPF, por sua vez, atendeu um pedido do comandante o 4º BPM, Erbt Afonso Pinto da Silva. No início deste mês, o comando do batalhão havia sido alertado pelo MP Estadual de que providências mais enérgicas deveriam ser tomadas. Havia denúncias de excesso de regalias e de que o ex-secretário já estava atendendo um dos ramais, de acesso ao quarto, do telefone fixo do batalhão.
Paolicchi saiu do batalhão com uma Biblía nas mãos e chegou à PF às 16 horas. A expressão do rosto era fechada, bem diferente dos risos contidos de quando ia do batalhão para ser interrogado na Justiça Federal. A cela da PF é do tipo comum, com a cama em armação de concreto e banheiro estilo ''turco'', cujo sanitário fica rente ao chão. No batalhão, quarto e banheiro eram separados. O chuveiro é com água fria e só o agente federal é quem pode acionar a descarga do sanitário. O colchão e a alimentação seriam providenciado pelo ex-secretário.
Segundo o delegado-chefe em exercício da PF, Ronaldo de Góes Carrer, a nova sede ainda não dispõe de estrutura para o recolhimento de presos. ''Vamos receber o Paolicchi porque é uma determinação judicial.'' A polícia teve que providenciar dois cadeados porque o sistema eletrônico das fechaduras ainda não está em operação.
O delegado também aguarda técnicos de Brasília (DF) para instalar os interfones para comunicação do preso e visitas. Ao contrário do batalhão, onde o ex-secretário recebia parentes, amigos e professores em qualquer horário e dia, na PF, as visitas são às terças, das 8h30 às 11 horas e às quintas-feiras das 14h30 às 17 horas. O tempo máximo para cada visitante é de 30 minutos. Só os advogados poderão vê-lo fora dos horários estabelecidos.

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