Paolicchi e Gianoto sofrem nova ação
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sexta-feira, 20 de abril de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
O promotor José Aparecido da Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Maringá, protocolou ontem mais uma ação por improbidade administrativa contra o ex-prefeito, a mulher dele, Neusa Gianoto, o ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, três servidores municipais e outros 18 réus. Entre eles, está o doleiro londrinense Alberto Youssef. A ação refere ao desvio de R$ 46,3 milhões em apenas uma conta da Prefeitura de Maringá na Caixa Econômica Federal (Caixa), durante a administração do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido), entre 1997 e 2000. O golpe em Maringá pode ser superior, no entanto, a R$ 100 milhões.
Todos os denunciados, segundo Cruz, tiveram participação direta no esquema de desvios, enquanto cerca de 90 outras pessoas ou empresas são citadas como beneficiadas. Pelas investigações realizadas desde abril do ano passado pelo MPE, foi possível detectar que R$ 8,4 milhões desviados da prefeitura foram para as contas de Gianoto e Paolicchi. O restante, R$ 16.017.710,26, passaram pelas mãos dos réus citados, enquanto de R$ 21.882.319,28 não foi possível identificar o destino.
Segundo o promotor, os R$ 21 milhões desviados são na forma de cheques de valores baixos, emitidos nominalmente à prefeitura e endossados. Os cheques eram assinados sempre por Paolicchi e pela tesoureira Rosimeire Castelhano Barbosa e depois endossados pelos dois ou também por Jorge Aparecido Sossai, funcionário da Secretaria de Fazenda. Parte do dinheiro desviado, acredita Cruz, pode ter saído do País.
A ação protocolada na 1ª Vara Cível, onde já tramita outro processo no mesmo teor, pede a perda dos direitos políticos e do cargo ocupado no caso de funcionário público, o impedimento de contratar com setor público e a devolução do dinheiro. Na avaliação de Cruz, será possível garantir a devolução de valores entre R$ 15 milhões a R$ 20 milhões. Ele se baseia no patrimônio dos dois principais acusados (Paolicchi e Gianoto), que já estão com os bens indisponibilizados desde a primeira ação proposta em outubro do ano passado.
Cruz convocou uma coletiva para falar sobre a ação e também convidou o prefeito de Maringá José Cláudio (PT). O promotor disse que apesar do esforço do MP, não foi possível levantar todas as contas da administração. A intenção era fechar todas as contas por cada administração, mas isso será mais moroso que esperávamos, afirmou. Além da administração Gianoto, o MP está levantando as duas gestões de Said Ferreira (sem partido), entre 1986 a 1988 e entre 1993 e 1996, e do deputado federal Ricardo Barros (PPB), entre 1989 a 1992.
O MP teve também que mudar a forma de investigação por várias vezes. Cada cheque é uma história diferente, de difícil levantamento, confessou Cruz. Os cheques que tiveram o destino identificados mostram vários esquemas de desvios. Apenas da conta na Caixa, Gianoto recebeu cerca de R$ 549 mil. Um cunhado dele, Hélio Silva, que administra a Fazenda Sapucaia, do ex-prefeito, recebeu R$ 130 mil desviados do município.
Nas contas de Paolicchi o MP localizou R$ 388.860,00 do dinheiro desviado. O corretor José Antônio de Souza, de Londrina, junto com outras seis pessoas, algumas parentes dele, movimentaram mais de R$ 10 milhões, segundo a promotoria. Souza, segundo investigou o MP, tem um rendimento médio de R$ 2 mil e um veículo Gol ano 1987.
Outro laranja identificado pelo MP foi o auxiliar de farmácia Moacir Antônio Dalmolin, de Foz do Iguaçu, que movimentou cerca de R$ 2 milhões de dinheiro desviado em conta particular. Ele prestou dois depoimentos e no segundo confessou que recebia US$ 100 por mês para manter a conta. Cruz revelou que Dalmolin entregava para uma pessoa o talão de cheques assinado. O nome da pessoa não foi revelado para não prejudicar as investigações.
Os dois funcionários de Paolicchi, Waldemir Ronaldo Corrêa (servidor municipal) e Plinio Cesar Rodrigues Teles receberam juntos mais de R$ 625 mil desviados. Segundo o promotor, a mulher do ex-prefeito também recebeu o valor de três cheques desviados (R$ 19 mil). Um outro cheque de R$ 69.425,00, depositados em nome da Toyota do Brasil, na realidade teria beneficiado Youssef. A irmã dele, segundo levantamento do MP, Luzia Isabel Basso Youssef, trabalha na empresa. A reportagem procurou ontem o advogado do doleiro, João dos Santos Gomes Filho, mas ele estava em Brasília e deve se pronunciar hoje. O deputado José Borba, também denunciado, foi procurado, mas não foi encontrado.
O proprietário da empresa Proserv, de Londrina, Paulo Cesar Stingher, que tem ligações com Youssef, também recebeu recursos desviados da prefeitura. Foram cerca de R$ 773 mil na administração de Gianoto e outros R$ 2 milhões na segunda gestão de Said. O advogado Luiz Alfredo da Cunha Bernardo, de Campo Mourão, que fez corretagem de terras com Paolicchi, teve identificados cerca de R$ 72 mil em conta particular de dinheiro desviado. O MP cita também empresas que teriam sido beneficiadas com o esquema.


