Maringá O ex-secretário de Fazenda de Maringá Luiz Antônio Paolicchi foi condenado ontem a nove anos e 15 dias de prisão pelos crimes de peculato, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A sentença, proferida pelo juiz substituto da Vara Criminal da Justiça Federal de Maringá, Alexei Alves Ribeiro, também condenou pelos mesmos crimes a ex-tesoureira da prefeitura Rosimeire Castelhano Barbosa e o ex-diretor de Fazenda Jorge Aparecido Sossai. Eles foram condenados a três anos e 11 meses de detenção. O ex-funcionário de Paolicchi, Valdemir Ronaldo Correa, foi condenado a dois anos por lavagem de dinheiro.
Dos quatro delitos denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça não considerou apenas o crime de formação de quadrilha.
As denúncia do MPF originaram a prisão do ex-secretário, mantido há um ano e um mês em um quarto especial do Batalhão da Polícia Militar de Maringá. Os demais condenados estão em liberdade. A sentença de ontem não é definitiva e os advogados de defesa podem recorrer em cinco dias. Além da prisão, os quatro foram condenados a multas, ainda não calculadas pela Justiça.
No processo julgado ontem, o ex-secretário é acusado de comandar um esquema que desviou R$ 3,1 milhões da Prefeitura de Maringá. Ele responde junto com os ex-servidores e o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto, a mais um processo criminal na Justiça Federal e a outras quatro ações cíveis na Justiça Estadual.
Nas duas administrações municipais em que atuou como diretor e secretário de Fazenda, Paolicchi é apontado como responsável por desvios que ultrapassam R$ 100 milhões. Durante o tempo em que permaneceu na Secretaria de Fazenda, Paolicchi amealhou diversos bens como imóveis, fazendas, carros importados e uma mineradora.
Segundo o advogado do ex-secretário, Moisés Zanardi, a defesa vai analisar a sentença para depois tomar uma decisão sobre o caso. Cabe também ao Ministério Público Federal recorrer da sentença do juiz. Somente depois do trânsito definitivo da condenação, Paolicchi será transferido da Polícia Militar para uma cela da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM).




ENTENDA O CASO
- Abril de 2000 Procuradoria da República em Maringá começa a investigar o ex-secretário municipal de Fazenda Luis Antônio Paolicchi por suspeita de evolução patrimonial excessiva
- 4 de outubro de 2000 Promotor José Aparecido da Cruz propõe ação civil pública contra Paolicchi e outras três pessoas. Paolicchi é acusado de desviar R$ 2.607.327,00 dos cofres públicos entre dezembro de 1999 e março deste ano
- 4 de outubro de 2000 Justiça determina a indisponibilidade de bens de Paolicchi
- 11 de outubro de 2000 Procuradoria da República propõe ação criminal por sonegação fiscal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato contra Paolicchi
- 17 de outubro de 2000 Justiça Federal decreta a prisão preventiva de Paolicchi
- 7 de dezembro de 2000 Paolicchi é preso em Florianópolis (SC) e no dia seguinte é transferido para Maringá
- 13 de julho de 2001 Gianoto, a mulher dele e Paolicchi são novamente denunciados pelo MP, desta vez, na Vara Criminal da Justiça Federal por crimes contra a administração, formação de quadrilha e sonegação fiscal. A denúncia trata do desvio de R$ 1,8 milhão
- 5 de outubro de 2001 MPE denuncia Paolicchi e o sócio dele na Mineradora Rainha, Fábrio Henrique Valente Volpe, por sonegação de impostos estaduais – R$ 544 mil
- 13 de novembro de 2001 Justiça Federal Criminal acata denúncia contra Gianoto, sua mulher, Paolicchi e três ex-funcionários públicos, pelos crimes de peculato, desvio de verbas públicas, formação de quadrilha e crimes contra a ordem tributária

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