Paolicchi continua preso e não irá depor à CPI do Narcotráfico
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terça-feira, 19 de dezembro de 2000
De Maringá 
O juiz Anderson Furlan Freire da Silva, da Vara Criminal da Justiça Federal de Maringá, indeferiu o pedido de revogação da prisão do ex-secretário de Fazenda do município, Luis Antônio Paolicchi, e não vai permitir que ele seja deslocado para Curitiba, para depoimento na CPI Estadual do Narcotráfico. Paolicchi deveria ficar frente a frente com o traficante José Maria Menezes Montalvão, hoje na Capital. O pedido de revogação da prisão foi protocolado na quinta-feira, logo após Paolicchi prestar depoimento na Justiça Federal. O ex-secretário está preso desde o dia 8 de dezembro, depois de ficar 51 dias foragido.
No despacho, o juiz alega que não acatou o pedido de liberdade por entender que Paolicchi preso facilita os trabalhos da Justiça. Silva não permitiu também que o ex-secretário seja levado para Curitiba por questão de segurança. Os advogados Moisés Zanardi, de Maringá, e Wagner Brusculo Pacheco, de Umuarama, contavam com a revogação do pedido de prisão de Paolicchi, mas lutavam pelo impedimento da viagem do ex-secretário até Curitiba.
A primeira tentativa dos deputados da CPI em ouvir Paolicchi e fazer uma acareação com Montalvão foi na sexta-feira. O presidente da CPI, deputado Algaci Túlio (PTB), e outros três integrantes da comissão estiveram em Maringá com o traficante. A recusa dos advogados de Paolicchi, de abrir a acareação para a imprensa, levou os deputados a cancelar a sessão. Não vamos esconder nada do público, avisou Algaci.
Os deputados decidiram então marcar uma nova acareação, para hoje de manhã na Assembléia Legislativa, em Curitiba. Os advogados de Paolicchi tinha avisado que tentariam impedir a viagem, por questão de segurança. Acabaram conseguindo. Paolicchi é acusado do desvio de R$ 3,1 milhões dos cofres da Prefeitura de Maringá. Junto com outros três servidores ele responde por improbidade administrativa na Justiça comum e por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha na Justiça Federal.
Os deputados queriam fazer uma acareação entre Paolicchi e Montalvão depois que o ex-secretário foi citado por testemunhas ouvidas pela CPI. Ele teria também negócios com outro acusado de tráfico, o empresário Hissan Hussein Dehaini. Pacheco alega que o único negócio entre os dois foi a compra de um helicóptero de Hussein por Paolicchi. Os advogados pretendem agora apelar da decisão do juiz e tentar reverter a prisão de Paolicchi em segunda instância. (M.Z.)


