Paolicchi contesta declarações de Gianoto
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
Marta MedeirosEquipe da Folha 
Maringá - O ex-secretário de Fazenda de Maringá Luiz Antônio Paolicchi tentou demonstrar ontem, durante interrogatório na Justiça Federal, que era apenas um funcionário obediente e negou que mantinha uma relação de amizade com o ex-prefeito Jairo Gianoto. Paolicchi refutou todas as declarações do ex-prefeito dadas anteontem para a Justiça Federal. Segundo o ex-secretário, Gianoto tinha plena consciência de que todo o dinheiro desviado cerca de R$ 1,8 milhão era do cofre da Prefeitura de Maringá.
Paolicchi disse ao juiz da Vara Criminal, Edvaldo Mendes da Silva, que era o ex-prefeito quem determinava os desvios para o pagamento de contas pessoais e de negócios agrícolas para equipar e manter a fazenda dele em Nova Mutum (MT). Segundo o ex-secretário, a compra de uma fazenda vizinha à do ex-prefeito foi coincidência, e não uma ponte de negócios em conjunto com Gianoto. Ele (Gianoto) dizia que iria repor tudo, mas não estava repondo, por isso pedi o afastamento em meados de 2000. Sabia que tudo isso iria estourar na minha mão, como de fato estourou, afirmou.
O ex-secretário contou que os desvios eram feitos a partir da emissão de cheques do município nominais à própria prefeitura. Este procedimento garantia o saque de contas municipais sem contrapartida na contabilidade. Paolicchi afirmou ainda que não fazia empréstimos para cobrir conta pessoal de Gianoto e que chegou apenas a emprestar, no início do mandato, valores ínfimos, de R$ 2 mil e R$ 5 mil.
Paolicchi chegou a clamar por justiça durante o interrogatório. Enquanto estou detido, ele (Gianoto) está solto forjando documentos, disse. O ex-secretário se referiu a documentos apresentados pelo ex-prefeito em defesa prévia no processo para demonstrar a relação de negócios com Paolicchi. Os documentos são uma tentativa de enganar a Justiça.
O ex-secretário contou ainda que o dinheiro desviado pela mulher do ex-prefeito, Neusa Gianoto, é superior aos R$ 14 mil encontrados pelo Ministério Público Federal na conta particular dela. Segundo Paolicchi, Neusa recebia uma mesada de R$ 15 mil em dinheiro todos os meses. Ela (Neusa) mesma é quem buscava este dinheiro comigo na secretaria; o Gianoto sabia dessa mesada.
Avião - O interrogatório do empresário Jorge Sanches Ouverney, de Nova Friburgo (RJ), ontem para a Justiça Federal, acabou derrubando a tese de que Paolicchi e Gianoto não mantinham uma relação de negócios. Segundo Ouverney, quem comprou a aeronave de R$ 732 mil para o ex-prefeito foi o próprio Paolicchi. Nunca conheci Gianoto e nem sequer conversei com ele, disse o empresário.
Ouverney contou que esteve com Paolicchi em duas ocasiões. A primeira para apresentar a aeronave e fechar o negócio; a segunda para fazer um recibo de valor inferior ao da venda, para fraudar o fisco. Neste ponto fui infantil, tanto que depois retifiquei a minha declaração do Imposto de Renda, declarando os valores corretos. Conforme o empresário, o contrato de venda foi feito com Paolicchi, mas os documentos foram transferidos para o nome de Gianoto.


