O ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, que completou ontem seis meses preso, deve ser sentenciado pela Justiça Federal apenas em julho. A previsão é dos próprios advogados de Paolicchi, que é acusado com outros três réus de peculato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Na Justiça Comum ele é acusado de improbidade administrativa junto com os mesmos réus, Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa, além do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido).
Um dos advogados de Paolicchi, Moisés Zanardi, disse à Folha que a defesa conseguiu prazo até hoje para analisar as perícias realizadas nos bens do ex-secretário. Ele não soube precisar se a defesa pedirá alguma diligência, o que prolongaria ainda mais o prazo de encerramento do processo. Se nada for solicitado pelos advogados, o processo passa para a fase de alegações finais.
Se não tiver mais nenhum requerimento, afirmou Zanardi, a sentença deve ser pronunciada apenas na segunda quinzena de julho. ‘‘Precisamos levar em conta que os outros réus também podem recorrer de qualquer procedimento.’’ O diretor da Vara Criminal da Justiça Federal em Maringá, João Cláudio Moraes Caiçara da Silva, disse que não arrisca fixar um prazo possível para a decretação da sentença. ‘‘Tudo depende do comportamento da defesa, que pode pedir novas diligências.’’
Zanardi lembra que não existe motivo para apressar o processo, já que depois não será possível apelar de decisões que devem ser tomadas agora. ‘‘De qualquer forma o tempo de prisão também conta como parte da pena.’’
Na sala especial que ocupa no 4º Batalhão de Polícia Militar, Paolicchi tem se dedicado a estudar inglês. As visitas, segundo fontes de dentro do quartel, são mais raras. ‘‘Paolicchi está agora na fase mais angustiante do processo, que é de aguardar os ritos finais’’, contou Zanardi. Ele não quis comentar sobre a rotina do ex-secretário, lembrou apenas que o tempo preso vai contar na condenação e dentro do quartel Paolicchi está mais seguro.
O processo que corre contra Paolicchi na Justiça Federal é referente a apenas um dos desvios levantados pelo Ministério Público (MP), de R$ 2,6 milhões. No total, o rombo da Prefeitura de Maringá já passa de R$ 106 milhões e Paolicchi é o principal suspeito de comandar o esquema de desvios. Durante depoimentos prestados em dezembro do ano passado e fevereiro último, ele alegou que agia a mando de ex-prefeitos e que o dinheiro desviado beneficiou vários políticos.
O MP conseguiu chegar a cerca de 130 nomes e empresas beneficiadas em todo o País. Assim que a sentença for divulgada, a Procuradoria da República vai apresentar outra denúncia criminal de desvios que envolvem também Gianoto.

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