O ex-secretário municipal de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, está completando hoje dois meses de cadeia em Maringá. Como ‘‘presente’’ de aniversário, ele vai poder sair do cárcere para acompanhar depoimentos de testemunhas no prédio da Justiça Federal. Paolicchi é acusado de peculato, formação de quadrilha, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Também é apontado como um dos principais responsáveis, ao lado do ex-prefeito Jairo Gianoto (afastado pela Justiça), por um rombo de R$ 100 milhões nos cofres da Prefeitura de Maringá.
Somente uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná levantou desvios de R$ 54,2 milhões. Os próprios auditores, no entanto, acreditam que o rombo pode ser maior.
Antes de ser preso, no início de dezembro, num hotel de Florianópolis, Paolicchi ficou foragido durante 36 dias. A prisão preventiva, pedida pelo juiz Andreson Freire da Silva, tem prazo de 81 dias e pode ser prorrogada. O secretário da Vara Criminal Federal, João Cláudio Moraes Caiçara da Silva, explicou que o prazo é suspenso quando a defesa solicita perícias, como está ocorrendo no caso.
Os advogados de defesa de Paolicchi pediram exame grafotécnico em papéis e perícia na declaração de Imposto de Renda, que será confrontada com a evolução patrimonial do ex-secretário. Pelos bens indisponibilizados pela Justiça, que incluem fazendas, apartamentos, um avião Lear Jet, veículos e uma mineradora, a avaliação passa de R$ 15 milhões. Silva lembra ainda que o prazo da prisão preventiva serve para a Justiça agilizar o processo. ‘‘É o que está ocorrendo’’, disse.
Outro detalhe citado por ele é que a prisão de Paolicchi está baseada em provas e fatos concretos. ‘‘O réu continua preso também porque podem surgir outras denúncias’’, lembrou. Um dos advogados de defesa do ex-secretário, Wagner Pacheco, concorda com a posição. Ontem, ele disse à Folha que a defesa poderia requerer a liberdade do cliente, mas aguarda o andamento do processo porque a Justiça está agilizando o trabalho.
‘‘Mesmo o pedido de habeas-corpus no Tribunal Regional Federal (TRF) não foi pedido com liminar porque esperamos um resultado após os trabalhos da Justiça’’, explicou. Pacheco adiantou ainda que já se comprometeu a manter Paolicchi à disposição da Justiça, caso ganhe a liberdade. ‘‘Ele tem interesse em se defender e não vai sumir’’, adiantou. O advogado não quis falar sobre os depoimentos das testemunhas, que ocorrem hoje, na Justiça Federal. Mas afirmou que muitos detalhes podem ser revelados.
No 4º Batalhão da Polícia Militar, onde Paolicchi está preso desde o dia 12 de dezembro, a informação é que o número de visitas é bem menor do que nos primeiros dias de prisão. Além dos dois advogados de defesa, Pacheco e Moisés Zanardi, apenas funcionários do ex-secretário são visitas frequentes. O comando da PM não informou o número de pessoas que procuram Paolicchi diariamente, nem qual esquema de segurança será adotado para levá-lo até a Justiça Federal. Cerca de 6 quilômetros separam o 4º BPM e o prédio da Justiça Federal, no centro da cidade.

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