Maringá - O juiz da 3 Vara Criminal de Maringá, Shiroshi Yendo, ficou ontem diante de dois depoimentos contraditórios na ação penal por peculato e formação de quadrilha que envolve 13 pessoas, entre elas, o ex-secretário de Fazenda, Luiz Antônio Paolicchi, o ex-prefeito Said Ferreira e o doleiro de Londrina, Alberto Youssef. Enquanto Paolicchi afirmou que todos os desvios foram determinados pelo ex-prefeito, por meio de cheques da prefeitura trocados por dólares, Said Ferreira alegou que não autorizava nenhuma emissão.
Paolicchi declarou no interrogatório que ''Said Ferreira tinha comando sob todas as operações financeiras da prefeitura, pois quem o conhece o tem como verdadeiro Ditador''. Segundo o ex-secretário, era Said Ferreira quem controlava as despesas e recebia em mãos os dólares comprados com dinheiro do município. Somente Alberto Youssef teria lidado com R$ 12 milhões em cheques da Prefeitura de Maringá. Em duas ações civis, o Ministério Público aponta desvios de R$ 32 milhões durante a segunda gestão de Said Ferreira, entre 1993 a 1996.
O ex-secretário disse ainda ao juiz, que Said Ferreira só se decidiu pelas denúncias sobre os desvios praticados durante a gestão do ex-prefeito Jairo Gianoto (1997-2000) porque não estava mais fazendo parte do esquema. Paolicchi declarou que Gianoto teria se recusado a pagar despesas de campanha para deputado estadual do ex-prefeito. Foi Said Ferreira, que em abril de 2000, detonou o esquema de desvios da prefeitura à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que resultou em uma série de processos civis e criminais, em um rombo superior a R$ 100 milhões.
Para Paolicchi, a denúncia feita por Said Ferreira teria sido tão detalhista que quando os auditores do Tribunal de Contas chegaram na Prefeitura de Maringá localizaram as irregularidades sem nenhuma dificuldade, apesar dos mais de ''um milhão de documentos no almoxarifado''. Com isso, o ex-secretário justificou o conhecimento do ex-prefeito sobre todas as formas de desvios de dinheiro da prefeitura.
Said Ferreira disse, porém, que só na gestão de Jairo Gianoto foram localizados provas documentais dos desvios. O ex-prefeito pediu ainda em juízo uma auditoria em todas as contas particulares de cada um dos réus para demonstrar o destino do dinheiro da prefeitura. Said Ferreira voltou a insistir que o patrimônio pessoal dele diminuiu e que as contas particulares estão abertas para auditoria.

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