Duas pessoas foram presas anteontem à noite em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) quando distribuíam panfletos apócrifos contra o deputado estadual Durval Amaral (PFL), de Cambé, candidato à reeleição. A Polícia Militar prendeu o pedreiro Nivaldo Mafra Bueno, 34 anos, e o ajudante geral César Galdino Gomes, 22 anos. Eles foram autuados em flagrante por crime eleitoral e liberados depois do pagamento de fiança de R$ 30,00 cada um.
Segundo o delegado de Sertanópolis, Marcos Roberto Guazzi Belinati, os dois negaram no depoimento que estavam espalhando os panfletos. ‘‘Mas uma testemunha viu que eles distribuíam’’, explicou. Belinati instaurou inquérito para apurar os autores do panfleto. O folheto sugere que o deputado recebeu R$ 2,3 milhões e que a Polícia ‘‘está atrás dele’’. O panfleto conclui com a seguinte pergunta: ‘‘Você ainda pensa em votar nele?’’
Amaral disse que material semelhante está sendo distribuído em vários municípios da região de Londrina e Maringá. Sua assessoria jurídica pediu providências à Justiça Eleitoral. Segundo ele, em Astorga e Maringá a Justiça teria determinado à Polícia Federal a apreensão do material.
O deputado disse que a divulgação dos panfletos não prejudica a campanha. ‘‘As pessoas conhecem nosso trabalho e a sociedade não aceita mais isso. Mas esse tipo de coisa aborrece’’, reconheceu. Para ele, os panfletos tentam traçar uma relação com a dívida que ele tinha no Banestado, já quitada. A Polícia Federal de Londrina instaurou recentemente um inquérito para apurar denúncias de irregularidades em operações de uma empresa do deputado com o Banestado. Amaral nega as irregularidades e diz que a empresa não existe mais.
Alex A coordenação de campanha do candidato a deputado federal Alex Canziani (PTB), de Londrina, contratou especialistas ligados a um instituto privado de criminalística para apurar a autoria de três panfletos apócrifos contra Canziani. Dois deles foram distribuídos ontem e outro na semana passada. O cunhado de Canziani e colaborador de sua campanha, José Cândido Miller Júnior, não revelou o nome do instituto ‘‘para não atrapalhar a investigação’’. ‘‘Mas os peritos já estão em Londrina, vão rastrear tudo e chegaremos aos autores’’, afirmou.
Os panfletos foram distribuídos em vários pontos da cidade e trazem trechos impublicáveis. Não poupam secretários municipais, familiares, amigos e aliados de Canziani. Miller admitiu que, num primeiro momento, a campanha incomodou-se. ‘‘Mas depois acabamos nos divertindo muito’’, explicou.
Apesar disso, Miller Júnior avaliou como uma atitude de ‘‘absoluto desespero de pessoas que não sabem gerir a causa política’’. ‘‘É indiscutível que um líder como o Alex incomoda. Agora esses folhetos não atingiram uma candidatura e sim pessoas’’, criticou.
O ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PT), candidato a deputado federal, além de vereadores, secretários e até o prefeito Antonio Belinati (sem partido) também foram vítimas recentes de panfletos apócrifos.

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