Palocci reforça equipe e aperta o cinto
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sábado, 07 de maio de 2005
Agência Estado 
Brasília - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, resolveu reforçar o esquema defensivo de sua equipe para o segundo tempo do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Preocupado com as pressões por mais gastos com a aproximação do ano eleitoral, ele trouxe para sua equipe Murilo Portugal, ex-secretário do Tesouro Nacional com fama de mão fechada, que atualmente é o representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI).
Como secretário-executivo do ministério, ele fará dobradinha na defesa do cofre com o atual secretário do Tesouro, Joaquim Levy - que briga com assessores para viajar na classe econômica, quando tem direito a ir na executiva. O recado é claro: não haverá descontrole dos gastos, apesar de o País não estar mais sob tutela do FMI.
O aperto nas despesas, porém, não pode ser percebido pela população como um sacrifício em vão. Ele deve ter como resultado a redução da dívida pública. Por isso, preocupa os técnicos a perspectiva de fechar o ano de 2005 com praticamente o mesmo nível de endividamento de 2004. Enquanto no ano passado a dívida equivalia a 51,6% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2005 ela está projetada em 51,4% do PIB. Em 2004, o governo conseguiu reduzir o endividamento público em mais de 5 pontos porcentuais, comparado a 2003. Esse corte não acontecia há mais de 10 anos.
A piora no comportamento da dívida é consequência direta das sucessivas altas de juros promovidas pelo Banco Central (BC). Esse é o ponto fraco da gestão econômica e será atacado pela oposição nas eleições de 2006. Para evitar o problema, a área econômica já trabalha, sem alarde, para fechar o ano com uma economia maior do que a prometida nas metas do governo. Ou seja, mais aperto.
Além de reforçar o controle do cofre, Portugal recebeu outra missão de Palocci: ajudar a encontrar alternativas ao controle da inflação, além das taxas de juros. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que foi um erro de seu governo centrar toda sua política antiinflacionária nesse único instrumento.
Portugal trará para a equipe de Palocci um ingrediente que estava faltando: experiência gerencial na burocracia do governo. Ele é apontado por antigos colegas de governo como uma velha raposa das engrenagens federais. Outra missão do novo secretário será melhorar a integração entre a Fazenda e o BC. Nos últimos dois anos, o clima era de intriga entre os dois times. Portugal chegou a ser cotado para assumir o BC na primeira equipe de governo. Na época, no entanto, Palocci mudou de idéia porque precisava de uma pessoa de confiança no FMI em 2003, ano em que o País ainda vivia a ressaca da crise de confiança pré-eleitoral.
As trocas não devem parar por aí. Dois diretores do BC, Alexandre Schwartsman (da Área Internacional) e Afonso Beviláqua (Política Econômica) aguardam apenas o sinal verde de Palocci para deixar o cargo. O presidente da instituição, Henrique Meirelles, também deverá sair para se candidatar a um cargo eletivo por Goiás no ano que vem.


