Brasília - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, iniciou ontem uma contra-ofensiva do governo usando instrumentos econômicos para reduzir a fragilidade política decorrente do escândalo do ''mensalão''. Ontem ele decidiu dar a reposição salarial dos militares e tentou acalmar o ânimo dos senadores oposicionistas prometendo verbas para a conclusão das obras do metrô de quatro capitais. Além disso, visitou o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, agora deputado, numa espécie de trégua.
A intenção é isolar a CPI dos Correios e as denúncias de corrupção que não param de surgir e destacar as ações objetivas de governo, reduzindo as frentes de oposição.
Com a saída de Dirceu, a Casa Civil passa a ser basicamente administrativa com Dilma Rousseff, enquanto Palocci assume funções também políticas, ao lado do deputado petista e agora ministro do Planejamento Paulo Bernardo. Apesar de ter se digladiado com Palocci, Dirceu mudou de tom: ''Nós somos muito amigos. Pode até haver divergências, mas eu gosto muito do Palocci'', dizia ontem. O encontro dos dois foi na casa de Dirceu.
Palocci se reuniu com senadores oposicionistas que ameaçavam obstruir a pauta de votação do Congresso caso o governo não renovasse o empréstimo com o Bird (Banco Mundial) para concluir o metrô em Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Salvador. Apesar de três delas serem administradas pelo PT e só uma pelo PDT (Salvador), as obras são de interesse dos Estados, todos governados pela oposição.
Palocci cedeu às pressões e divulgou que vai incluir as obras no projeto-piloto, cujas verbas não estão submetidas ao contingenciamento e às metas do superávit primário o quanto se economiza para pagar juros da dívida.
Palocci se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com Paulo Bernardo e com o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, para discutir a questão dos militares. Lula tem dito que está ''muito preocupado'' com o não atendimento das reivindicações salariais da categoria.
A folha de pagamentos dos militares é em torno de R$ 22 bilhões. No ano passado, o governo concedeu reajuste de 10%, prometendo que liberaria uma segunda parte no primeiro trimestre deste ano. A expectativa era de uma parcela de 23%, mas a Defesa e a área econômica vinham desmentindo o acordo fechado pelo ex-ministro da Defesa José Viegas.
O mais provável é que os 23% sejam divididos em três parcelas. A questão será discutida até sexta com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, já com o aval de Palocci.

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