Palocci nega denúncias e evita confronto
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2006
Rosa Costa e Eugênia Lopes<br> Agência Estado 
Brasília Num depoimento de seis horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negou ontem o envolvimento em denúncias ocorridas no governo federal, na campanha do PT em 2002 e na prefeitura de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, mas, ainda assim, evitou atacar ex-assessores que o acusaram de participar de várias irregularidades, como os advogados Rogério Tadeu Buratti e Vladimir Poleto. Palocci foi taxativo ao dizer que o partido não usou caixa dois na eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao negar a doação de US$ 3 milhões que teria sido feita por Cuba e ao rebater, entre outras, a acusação de que teria intermediado o acordo com os donos de bingos para legalizar a atividade no País, em troca de R$ 1 milhão para a legenda.
Ele só reagiu contra os denunciantes, quando questionado sobre dois funcionários públicos municipais de Ribeirão Preto que, perante o Ministério Público (MP), acusaram a gestão dele de alterar as planilhas de limpeza pública para superfaturar os valores pagos à empresa Leão Leão. ''Posso suspeitar que eles fizeram a alteração por conta deles'', alegou. Já com relação à supervisora que autorizava os pagamentos, Izabel Bordini, mulher do diretor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Donizette Rosa, que, na época, era presidente da sigla na cidade, o ministro da Fazenda foi enfático em afirmar que ''confiava na sua integridade''. No testemunho ao MP, os dois funcionários afirmam que Izabel dizia que havia ''ordens superiores'' para superfaturar o pagamento da empresa de limpeza.
Em nenhum momento, ele chamou os acusadores de ''mentirosos'', mesmo quando questionados nestes termos pelos senadores. Sobre o fato de ter viajado no avião do empresário José Roberto Colnaghi, Palocci disse que o vôo foi fretado pelo PT porque ele se deslocava para alguma atividades partidária. Ele nada disse quando o senador Antero Paz de Barros (PSDB-MT) declarou ter pesquisado e concluído que existe o pagamento desse frete nas contas do PT. ''O ministro foi hábil. Não foi convincente em alguns pontos, principalmente, ao recusar-se a atacar os que afrontam a sua honra'', afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
O senador Demóstenes Torres (PFL-GO) rebateu a alegação do ministro que vai esperar pelo fim das ações, ao dizer que até lá os processos estarão prescritos. Torres também mostrou que o assessor do ministro Ademirson Ariosvaldo da Silva mentiu, quando disse ter recontado para menos os telefonemas que recebeu no período de renovação da Gtech. ''Temos um programa que confirmou tudo, foram 1.411 ligações para o Poleto e 811 para o Ralf Barquete (ex-assessor da Caixa Econômica Federal)'', defendeu.


