Brasília - Os desafios do Brasil são imensos, o barulho dos radicais incomoda, mas a cada fim de expediente, quando os mais importantes ministros do governo Lula tomam seus carros e voltam para casa, em sofisticados endereços brasilienses, a rotina que os espera não é de se jogar fora. Os dois ministros mais poderosos do governo petista, por exemplo - José Dirceu, da Casa Civil, e Antonio Palocci, da Fazenda - ocuparam cobiçadíssimas casas da região da Península dos Ministros. Como as demais foram vendidas, em 1990, pelo então presidente Fernando Collor, restou à maioria dos outros ministros instalar-se em apartamentos funcionais da Asa Sul.
Palocci, tão criticado por repetir a política econômica do ex-ministro Pedro Malan, herdou também o mesmo endereço do antecessor e tem curtido os passeios e bons programas da cidade, considerando-se já um brasiliense. José Dirceu, que no início esteve de olho na mesma casa, acabou ficando com a que era ocupada pelo ex-ministro de Ciência e Tecnologia Ronaldo Sardemberg. Recém-instalado na casa, ele desfruta em suas horas vagas de uma vista espetacular e de completa privacidade.
Outro ilustre habitante da península é o ministro da Defesa, José Viegas, que decidiu trocar seu enorme apartamento funcional na Asa Sul por uma das casas da Aeronáutica naquela área. ''É um prazer insubstituível caminhar à beira do lago, principalmente nestes meses, em que o céu tem um azul intenso'', conta o ministro, que optou pelo endereço para poder se dedicar a um de seus hobbies: a jardinagem. Diz também que o espaço é mais apropriado para criar seus dois cachorros e um gato.
Do outro lado da cidade, no Lago Norte, ocupando imóveis alugados, estão o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O ministro Miguel Rosseto, responsável pela política de reforma agrária, escolheu uma casa arborizada no setor de mansões Park Way, onde os terrenos, originalmente de 20 mil metros quadrados, foram divididos pela própria comunidade, que fez uma espécie de ''reforma agrária'' no local. Rosseto queria ficar distante do centro e ter espaço para cuidar de plantas - em Porto Alegre ele cultivava uvas no quintal.
A maioria dos ministros do governo Lula, no entanto, vive em apartamentos funcionais de várias quadras do Plano Piloto. O último a chegar foi o ministro da Cultura, Gilberto Gil, que desperta na vizinhança a curiosidade e interesse previsíveis por se tratar de um popstar. Nas vezes em que circulou pelo comércio da quadra deu frequentes autógrafos e, quando comparece a alguma programação cultural, faz a alegria dos brasilienses dando uma canja.
Um outro grupo de ministros, que inclui Ciro Gomes (da Integração Nacional) e Roberto Rodrigues (da Agricultura), acomodou-se nas confortáveis instalações da Academia de Tênis, além de Graziano. ''Estou lá até hoje porque sou comodista. Ali é cômodo, tem cinema, restaurantes'', diz o ministro.

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