Palocci atribui queda a rancor da oposição
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terça-feira, 28 de março de 2006
Tânia Monteiro<br>Agência Estado 
Brasília - O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho despediu-se ontem de Brasília e do cargo, ao transmitir o comando da política econômica para o novo ministro, Guido Mantega, e prepara-se para retornar hoje a Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, sem saber ainda o que fará do futuro político. Além de organizar a defesa no caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o ''Nildo'', Palocci precisa amadurecer a decisão de concorrer a deputado em outubro ou se afastar da vida política, provisoriamente, seguindo o mesmo rumo que o ex-deputado José Dirceu (PT-SP).
Palocci destilou toda a amargura durante o discurso que fez na solenidade de transmissão do cargo ao sucessor, Guido Mantega, para um auditório repleto, no Palácio do Planalto. Palocci, que alguns no palácio pensavam que poderia não estar presente à cerimônia, tamanho o constrangimento a que seria submetido, não só compareceu, como, mais uma vez, negou que tenha participado das irregularidades das quais é acusado, considerou-se ingênuo, queixou-se dos que, mesmo sendo próximos dele, não acreditam nele, mas reconheceu que, ''certamente'', cometeu erros. A amigos, no entanto, Palocci disse estar aliviado, insistiu que não se candidatará a nada nas eleições de outubro.
Apesar de ter sido demitido, Palocci, no discurso, insistiu que ''solicitou o seu afastamento definitivo do Ministério da Fazenda'' por considerar ter sido a melhor maneira de contribuir com o País e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ''frente ao quadro conflituoso e tenso''. Para ele, ''na vida pública, há momentos de afirmar e momentos de recuar e temos de ter tranquilidade de identificar estes momentos''.
Palocci considerou que enfrentou nestes últimos meses ''o círculo infernal das suspeições e dos prejulgamentos'', e citando um poeta italiano, afirmou que, talvez, a tentação fosse a de dizer, agora, ''siga o seu curso e não olhe para trás''. Segundo o ex-ministro, o verso do poeta serve para o sentimento que nutre de ''não levar mágoa nem ódio no coração''. Mas não foi isso que reproduziu nas palavras, lidas no discurso, ao afirmar que não nutre mágoa nem ódio dos que não acreditam nele, ''nem mesmo contra alguns que, até bem próximos de nós, aceitam palavras que não são as nossas quanto a fatos recentes que, ou são pura acusação, ou são ilações e denúncias sem substâncias, sem materialidades em fatos''. E acrescentou, com a mesma voz indignada que negou outros fatos também depois desmentidos: ''Jamais patrocinei nesses três anos malfeitorias com os recursos públicos, nem atentei, de nenhuma forma, contra a democracia e as instituições de meu país.''
O ex-ministro atribuiu os ataques que sofreu ''à tradição de oposições ferozes, de pactuações sempre recusadas''. Segundo Palocci, ''nossas instituições políticas estão cravadas de rancores e isso têm criado grandes dificuldades para o avanço institucional do país''.


