Curitiba - O ex-tesoureiro informal do PTB Emerson Palmieri, um dos 40 réus na ação penal referente ao caso ''mensalão'', prestou depoimento ontem na 3 Vara Federal Criminal de Curitiba. Ele negou os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro dos quais é acusado. Depois de uma hora e meia de interrogatório, não quis conversar com a imprensa. O advogado de Palmieri, Itapuã Messias, disse que o cliente dele relatou ontem à Justiça que viu o publicitário Marcos Valério entregar R$ 4 milhões para o ex-deputado federal cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. Palmieri afirmou ao juiz federal substituto, Leoberto Simão Schmitt, que não recebeu estes recursos.
''Ele (Palmieri) viu o Marcos Valério com o Roberto Jefferson e também os valores. Posteriormente, viu quando Jefferson cobrou da presidência nacional do PT a regularização daquela importância'', disse Messias. Segundo o advogado, Palmieri não teve informação sobre o destino dos recursos e nem da origem deles. ''A posição do Palmieri é de uma pessoa administrativa que, estando lá no local, viu como os fatos se desenrolaram'', disse.
Palmieri também teria feito uma viagem com Marcos Valério para Portugal no sentido de capitalizar recursos de empresas daquele país para campanhas eleitorais no Brasil. Messias comentou que alguém da cúpula do PT disse a Jefferson que empresários portugueses com investimento no Brasil teriam interesse em colaborar com o PT. ''O Roberto chamou algumas pessoas do PTB para irem. Os candidatos a prefeito do Brasil inteiro estavam cobrando uma posição política do partido que os lançou candidatos com o compromisso de colaborar financeiramente nessas campanhas'', contou.
Ele disse que Palmieri fez a viagem e viu Marcos Valério falar com alguém na sede da companhia Portugal Telecom mas, não participou desta reunião. ''Palmieri voltou de Portugal e passou esse relatório para o Roberto Jefferson mas não sabe do que se trata'', alegou Messias. Segundo o advogado, o PTB queria receber recursos para apoiar os seus candidatos em todo o Brasil.
De acordo com o advogado, ''jamais o PTB colocou um centavo de dinheiro que não seja legítimo, previsto em lei e regularizado em sua contabilidade. Toda a contabilidade do PTB foi vasculhada. O Roberto Jefferson declarou na CPI e na Polícia Federal que recebeu os recursos em sua pessoa física'', afirmou.
Messias disse que ontem foi a primeira oportunidade judicial que Palmieri teve de se defender. O ex-tesoureiro teria informado sobre a composição política que existiu entre o PT e o PTB. Segundo ele, durante a campanha eleitoral de 2004, o PT fez coligações com o PTB em alguns importantes municípios no Brasil e nessas coligações o PT se comprometeu com o PTB em fazer uma doação.
Messias informou que o valor de doação integral seria de R$ 20 milhões. No entanto, se restringiu a R$ 4 milhões. ''Mas, o PT em vez de fazer na forma prevista na Lei 9.504 que regulamenta as eleições, fez a doação de uma maneira que não dava para regulamentar, razão pela qual as coisas começaram a se desencontrar na composição legítima e política que foi realizada entre os partidos'', explicou.
Ele lembrou que Marcos Valério fez duas doações ao PTB - uma no valor de R$ 2,2 milhões e outra de R$ 1,8 milhão, sem o devido recibo previsto na legislação eleitoral. ''O PTB não tinha condições de contabilizar isso'', afirmou.

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