São Paulo – As eleições nos territórios autônomos palestinos acontecerão em janeiro do próximo ano, anunciou ontem a Autoridade Nacional Palestina, sob forte pressão do presidente norte-americano, George W. Bush. O ministro palestino Saeb Erekat disse que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, deu ordens para as eleições presidenciais e legislativas acontecerem entre 10 e 20 de janeiro de 2003.
As declarações de Erekat aconteceram durante uma entrevista em Jericó, no vale do Rio Jordão, dois dias depois que Bush afirmou que os palestinos deveriam eleger novos líderes ‘‘não comprometidos com o terror’’. O presidente dos EUA declarou ainda que amplas reformas seriam necessárias antes que um Estado palestino pudesse ser criado.
Erekat confirmou também a realização de eleições locais em março em 322 circunscrições. Será a primeira eleição local nos territórios autônomos palestinos desde a criação da Autoridade Nacional Palestina, em 1994, afirmou.
Reformas áᖠA Autoridade Nacional Palestina realizará ainda uma série de reformas nos serviços de segurança, instituições financeiras e tribunais até o final de setembro, declarou Erekat. Segundo o ministro, as reformas respondiam às ‘‘necessidades dos palestinos’’ e não ao discurso do presidente norte-americano.
A reforma resultará na criação de um sistema judicial independente, disse Erekat. O ministro palestino pediu ainda aos líderes do G8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), cuja reunião começou ontem no Canadá, a pressionar Bush para que ele ofereça ‘‘um programa de ação’ com o objetivo de resolver o conflito do Oriente Médio.
‘‘Gostaria de pedir aos líderes do G8, que se reúnem hoje no Canadá, que tentem convencer o presidente Bush de que os palestinos e os israelenses precisam de ação e não de uma visão’’, afirmou Arakat. ‘‘Uma visão não constitui uma política. Uma visão não substitui os planos. O que se precisa para tirar os palestinos e israelenses desta tragédia e desta situação é um programa de ação, um plano detalhado com um resultado final, com etapas, cada uma delas acompanhada de datas precisas, tudo com um prazo limite e uma supervisão apropriada’’, defendeu o ministro palestino.

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