Tesoureiro da campanha de Cassio fez as primeiras denúncias sobre irregularidades na prestação de contas ao TRE
Curitiba - A Polícia Federal (PF) já começou a tomar depoimentos na investigação sobre a existência de um caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). A Folha apurou que a PF já ouviu o tesoureiro da campanha de Cassio, Francisco Paladino Júnior.
Segundo o advogado de Paladino, Cláudio Dalledone Júnior, o teor do depoimento do ex-tesoureiro do PFL foi o mesmo dos depoimentos prestados aos promotores do Ministério Público (MP) estadual em dezembro do ano passado. O livro-caixa redigido por Paladino foi uma das peças fundamentais para que os promotores elaborassem relatório indicando que o prefeito teria cometido crime eleitoral.
Paladino já havia declarado ao MP que o comitê do PFL teria sonegado cerca de R$ 19 milhões em sua prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). No depoimento à PF, o ex-tesoureiro deu detalhes sobre o funcionamento do comitê onde eram realizados os pagamentos às empresas que prestaram serviços a Cassio.
Segundo ele, além do coordenador financeiro da campanha, Mário Lopes Filho, no escritório trabalhavam também os contadores Davi José Favaretto e José Alexandre Forneck. Os dois foram denunciados pelo MP, acusados de terem sido favorecidos por um convênio da Agência de Fomento do Paraná, que teria contratado empresas relacionadas aos contadores para prestar serviço à agência sem realizar licitação.
A Polícia Federal não pretendia iniciar a tomada de depoimentos antes de concluir a perícia no material encaminhado ao órgão pelos promotores do MP. Entretanto, a assessoria do órgão confirmou que ainda estavam sendo realizadas perícias no material, e que não havia prazo para o encerramento da investigação.
A príncipio, a PF parece ter desistido da idéia de levantar todas as notas fiscais e recibos relativos às mais de 100 empresas e pessoas citadas no livro-caixa de Paladino. O delegado responsável pelo caso, Hugo Corrêa Martins, havia solicitado essa diligência no dia 20 de fevereiro, mas teve seu pedido negado pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, que queria mais esclarecimentos antes de atender à solicitação. Até ontem, a PF não havia enviado os esclarecimentos ao juiz.

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