Curitiba - O Palácio Iguaçu, localizado no bairro Centro Cívico, em Curitiba, vai passar pela primeira reforma total desde sua inauguração, em dezembro de 1954. De lá até o ano passado, o prédio de quatro andares, que abriga parte da estrutura do poder Executivo, incluindo o gabinete do governador Roberto Requião (PMDB), teria sofrido somente ''pequenas intervenções'', conforme explicou o secretário estadual de Obras Públicas, Luiz Caron. Algumas teriam até ''tirado características da obra original'', segundo Caron, ao enfatizar a necessidade de uma reforma completa no prédio.
O edifício foi inaugurado na gestão do então governador Bento Munhoz da Rocha Netto, junto com os prédios da Assembléia Legislativa e do Tribunal de Justiça (TJ), que também ficam na região. Mas por causa da geada atípica que atingiu o Paraná em 1953, afetando uma das principais economias do Estado na época, o café, o Executivo não teve recursos para cumprir na íntegra os projetos originais das três obras. No final da década de 60, na gestão do governador Paulo Pimentel, tanto o prédio do TJ quanto o plenário da Assembléia Legislativa puderam ser concluídos. ''Faltou o Palácio Iguaçu'', conta Caron.
''Os governantes às vezes têm pudor em investir no Palácio Iguaçu, mas o prédio, o Centro Cívico, faz parte da história e da cultura do Estado'', defendeu Caron, ao ser questionado sobre o custo da reforma. Por enquanto, como ainda não foi criada uma comissão para tratar da reforma, o secretário disse que é cedo para qualquer previsão orçamentária. Sobre os membros da comissão, Caron irá sugerir a participação da primeira-dama, Maristela Requião (que está à frente do Museu Oscar Niemeyer), ou de alguém ligado à área de cultura. É que, segundo ele, além da reforma física do edifício, é preciso avaliar as condições das obras de arte ali instaladas, como painéis e quadros. ''E não é só obra de arte, os móveis, lustres, portas, são coisas que estão ligadas à história. Outra secretaria deverá cuidar dessa parte'', acredita.
A reforma total irá compreender sete intervenções. A primeira é estrutural. ''Vamos investigar para saber o que deve ser trocado na estrutura. Os ferros antigos, por exemplo, eram altamente suscetíveis à corrosão'', explica o secretário. A segunda intervenção é hidro-sanitária. Toda a parte de água e esgoto deverá ser refeita. A terceira intervenção é eletro-mecânica. ''São reformas nos elevadores, geradores, sensores. Também é preciso se adequar às normas de combate a incêndio'', disse ele. A quarta intervenção tratará da impermeabilização do prédio que, segundo o secretário, está ''vencida em termos de tempo e eficácia''. A quinta intervenção se refere às esquadrias e aos vidros, que serão trocados por materiais mais leves. A sexta intervenção será no revestimento do prédio, feito de granito e mármore. ''As pedras são fortes, resistentes, mas foram mal cuidadas''.
A sétima e última intervenção será feita ao redor do prédio. Segundo Caron, as árvores na praça em frente ao edifício teriam sido plantadas para ''impedir manifestações e reuniões de pessoas no local''. ''Quando o Requião assumiu uma das primeiras mudanças foi tirar a grade em volta do Palácio Iguaçu'', afirmou ele. O secretário explica que qualquer projeto de reforma assim deve levar em conta três itens básicos: a funcionalidade, a racionalidade e a estética, ''a obra como monumento''.
Até o final de janeiro, os funcionários do Palácio Iguaçu (onde está a Casa Civil, Casa Militar, Comunicação Social, Cerimonial e a Assessoria Especial do Governo, além dos gabinetes do governador e do seu vice) deverão ser transferidos, provisoriamente, para o prédio (antigo Fórum de Curitiba) que agora abrigará algumas secretarias do Estado e foi inaugurado logo depois da posse do governador, dia 1º de janeiro. A idéia é iniciar a reforma ainda no primeiro semestre do ano.
Logo que o Palácio Iguaçu ficar pronto, o governador poderá continuar com um gabinete no antigo Fórum de Curitiba, local que deverá ser destinado ao dia-a-dia de despachos e reuniões internas. O gabinete no Palácio Iguaçu servirá para receber autoridades e abrigar acontecimentos oficiais.

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