O Palácio Iguaçu decidiu não comentar a prisão do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido). A assessoria do governador Jaime Lerner (PFL) informou que a posição permanece a mesma adotada desde o início do escândalo: qualquer manifestação do governo do Estado pode ter peso institucional. Por isso, informou a assessoria, a cúpula do Palácio Iguaçu não vai se manifestar, para não apoiar nem condenar o trabalho da Justiça, mantendo isenção em relação ao caso.
Logo após a prisão do ex-prefeito, a Folha procurou o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, o chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, e a assessoria de Lerner. Por volta do meio-dia, os secretários disseram que não havia posição oficial.
O governo teme que o escândalo AMA-Comurb prejudique a imagem política de Lerner. Além de apoiar e receber apoio de Belinati nas campanhas de 1996 e 1998, respectivamente, a vice de Lerner é Emília Belinati (PTB).
Esta não é a primeira vez que o Palácio Iguaçu tenta passar à margem do escândalo em Londrina. A primeira foi quando Belinati teve o mandato cassado. O governo evitou entrevistas e declarações que pudessem envolver Lerner no escândalo. A postura do governo deixou Belinati ressentido. Apesar de uma convivência oscilante – a família Belinati boicotou a posse de Lerner em janeiro de 1999 – Lerner sempre manteve vínculos com os Belinati.
Os aliados de Lerner na Assembléia Legislativa não têm dúvidas de que a prisão vai refletir no andamento do governo. Mesmo antes, era corrente a versão de que o ex-prefeito teria fatos a esclarecer. A compra de ações da Sercomtel pela Copel seria um dos pontos nebulosos.
A Assembléia já tentou investigar a transação, mas por pressão do governo uma Comissão Parlamentar de Inquérito foi instalada e desconstituída em menos de 24 horas, em maio de 1998.

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