Palácio Iguaçu intervém na eleição da Assembléia
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 1997
Sérgio Wesley Sucursal de Curitiba 
O Palácio Iguaçu decidiu intervir na eleição para a mesa executiva da Assembléia Legislativa. O motivo da intervenção direta do governo, comandada pelo secretário da Casa Civil, Giovani Gionédis, é a campanha do deputado Antonio Anibelli (PSDB) para assumir o cargo de segundo secretário da Casa, hoje ocupado por Nelson Garcia (PFL). A eleição vai acontecer em duas etapas: dia 13, para presidente, e dia 14, para os demais cargos.
O governo só aceita abrir espaço para o PSDB de Anibelli na terceira vice-presidência ou na quinta secretaria. Os dois cargos foram criados no ano passado para acomodar todos os partidos com representação na Assembléia. Mas os futuros ocupantes desses cargos não terão função definida. A terceira vice e a quinta secretaria são elementos decorativos no comando do Legislativo.
A ampliação do número de cargos na mesa executiva foi uma estratégia do deputado Aníbal Khury (PTB) para garantir sua reeleição para a presidência da Assembléia. Khury será reeleito, mas a acomodação de todos os partidos está ficando inviável.
PSDB e PMDB alegam o princípio da proporcionalidade para reivindicar a segunda secretaria. O PMDB tem dez deputados e o PSDB, nove. Mas o presidente regional do PFL, José Carlos Carvalho, foi pessoalmente ao Palácio Iguaçu pedir a manutenção de Nelson Garcia no cargo.
Até o pedido de Carvalho, Khury estava negociando com os demais partidos apenas a manutenção de Luiz Carlos Martins (PDT) na primeira secretaria. Todos os demais cargos poderiam entrar na composição. A partir dessa semana os termos das negociações mudaram. O governo quer manter toda a atual executiva.
Dos oito partidos com representação na Assembléia, quatro estão de fora da mesa executiva. O PL, representado por Horácio Rodrigues, continuará de fora. O PT, com cinco deputados, foi convidado a participar e pode ocupar a quinta secretaria. O partido vai analisar a proposta na Quarta-Feira de Cinzas (dia 12). Para compor a executiva, o PT quer no mínimo a garantia de informatização de toda a Assembléia.
Ao PMDB está sendo oferecida a terceria vice-presidência. Ao PSDB será dada a oportunidade de voltar a ocupar a terceira secretaria. Hoje, o cargo é ocupado por Edgar Bueno, que trocou o PSDB pelo PDT. As bancadas do PMDB e PSDB também só decidem se aceitam esses cargos na ressaca do Carnaval. Os dois partidos estão divididos. Alguns tucanos e peemedebistas preferem ficar de fora para evitar atrelamento futuro.


