Palácio Iguaçu é o sonho de Beto para 2010
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Londrinense, 44 anos, filho do ex-governador José Richa, o atual prefeito de Curitiba, o tucano Beto Richa não esconde de ninguém que quer voar mais alto em 2010. Apesar de se dizer satisfeito como prefeito e comentar as recentes pesquisas nacionais que chegam a qualificá-lo como o melhor das capitais, Beto quer governar o Paraná.
De férias em Foz do Iguaçu, onde divide o descanso com entrevistas à imprensa, ele atendeu a FOLHA e falou sobre as eleições deste ano, as rusgas com Requião e sobre o ano de 2009 como prefeito.
FOLHA- Qual a sua avaliação do ano de 2009.
Beto - Foi muito bom, proveitoso, com diversas realizações. A administração foi dinâmica, vigorosa e com um ritmo acelerado de obras por toda a cidade. Queremos manter esse ritmo, que foi aprovado pela população, para o ano que vem. Quero desmistificar aquela ideia de que o segundo mandato não consegue ser tão bom ou superar o primeiro porque a equipe acaba se acomodando, cruzando os braços. No início deste mandato nós lançamos mão de uma ferramenta muito eficaz, que garante modernidade, transparência e profissionalismo na gestão pública, que é o contrato de gestão, no qual os meus secretários assumem comigo um compromisso de cumprir metas e objetivos que eu estabelecer. O secretário que não atingir as metas da sua área de administração sabe de antemão que será desligado da equipe.
Houve alguma decepção?
Nós ainda não conseguimos definir os recursos para a implantação já no ano que vem do metrô. Mas isso já está encaminhado. Conversei com o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) na última semana e ele me falou que em março ou abril do ano que vem voltaremos a conversar para incluir o metrô no PAC 2. De qualquer forma, o projeto básico já está em fase de conclusão. É uma obra cara e nenhuma cidade do Brasil tem condições de, com recursos próprios, implantá-la.
O metrô fica pronto até a Copa do Mundo de 2014?
Como toda obra, e essa é uma obra cara, depende da liberação de recursos financeiros. Se eles forem suficientes, dá para agilizar. Do contrário, demora um pouco mais. Mas a nossa necessidade de metrô é até anterior à Copa. Se ficar pronto até lá é ótimo, pois vamos ter uma movimentação muito grande na cidade para esse evento. Além disso, é uma exigência da Fifa um bom sistema de transporte público, que Curitiba já tem com os ônibus. Se der para avançar ainda mais é ótimo. Vamos tentar para a Copa. Do contrário, paciência, fica para depois.
O maior plano do senhor para 2010 é ser governador do Paraná?
Claro que eu quero ser governador. Não pela satisfação ou por vaidade pessoal. Eu nunca tive obsessão por algum cargo. Estou na política para servir, para dar a minha contribuição para uma sociedade melhor. Sinto-me maduro, preparado, experiente para governar o Estado. Já tive a experiência de ser deputado estadual por dois mandatos, fui vice-prefeito e prefeito de Curitiba. Quero levar as boas práticas e experiências administrativas que tive na capital para o Paraná.
O senhor foi eleito para o atual mandato de prefeito de Curitiba com 77% dos votos. Não seria uma traição a esses eleitores abandonar o cargo no meio da gestão?
Sem dúvida alguma, reconheço que devo uma satisfação às pessoas que me elegeram. O meu mandato pertence a elas. Mas em todas as pesquisas realizadas entre os meus eleitores, cerca de 80% gostariam de me ver na campanha eleitoral de 2010. Então, eu sempre me baseei e me orientei pelo desejo popular.
Mas, antes de ser candidato, o senhor ainda tem que vencer o senador Alvaro Dias, que também quer a vaga do PSDB. Como andam as movimentações dentro do partido?
Isso não será decidido nem por mim nem pelo Alvaro. Temos um acordo, com muita maturidade, onde o julgamento será do partido, no final de janeiro ou fevereiro. Não existe critério mais democrático e transparente do que delegar aos eleitores paranaenses essa decisão. Por isso, as pesquisas serão consideradas, as qualitativas, as instantâneas. Mas não haverá racha, estamos unidos.
Se a sua candidatura vingar, o senador Osmar Dias (PDT) é o que mais assusta?
Quem quer ganhar eleição não pode escolher adversário. O senador Osmar é um grande adversário. Todas as pesquisas o apontam com muitas intenções de votos.
O governador Roberto Requião (PMDB) declarou que não gostou de o senhor não ter ido à Escola de Governo na ocasião do perdão de uma dívida antiga da prefeitura com o governo estadual de R$ 403 milhões. As relações de vocês continuam estremecidas?
Faz tempo. Desde 2005, quando eu apoiei o Osmar Dias contra ele para o governo estadual. Mas eu sempre me coloquei à disposição para conversar com o governador. Sempre disse a vários interlocutores que me procuraram que não negava uma aproximação. Eu fui eleito para governar, para defender os interesses da minha cidade. Sempre que se deixa que eventuais interesses políticos-partidários passem por cima de interesses públicos, quem paga a conta é a população. Se houve um afastamento entre o Requião e eu não foi por minha culpa. Ele é que fechou as portas e passou a viver me atacando. O máximo que eu fiz foi defender a minha honra, nunca o ataquei. Agora o governador ofereceu ajuda novamente com um pacote de financiamento de obras para a cidade. Recebi de bom grado, assim como a anistia da dívida da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Reconheço o gesto. Mas não fui à 'Escolinha' por se tratar de um ambiente que não me agrada, devido a muitos ataques à minha pessoa já terem partido de lá.
O que o senhor acha da candidatura do Requião para presidente?
Não sei se realmente é para valer. Mas, se for possível, que ele viabilize a sua candidatura.
O escândalo do PRTB foi a maior mancha do ano?
Aquilo foi uma grande armação e fomos inocentados pelo TRE por sete votos a zero.
Em 2009 o senhor andou bastante pelo Estado fazendo diversas palestras em cidades de interior...
O partido organizou vários encontros suprapartidários pelo interior e eu aproveitei para atender convites para palestras. Em Curitiba eu já faço isso há algum tempo e o interior começou a me convidar.
Mas não se tratava de campanha?
Nessas palestras eu não falo de política, só de assuntos administrativos.


