O Palácio do Planalto já trabalha a indicação de um novo líder no Senado para evitar que a ausência de um líder, com a saída de José Roberto Arruda, aprofunde a paralisia do processo decisório no Congresso Nacional. Na última sexta-feira especulava-se sobre nomes do PMDB e do PFL, e não do PSDB, o partido de Arruda e do presidente Fernando Henrique Cardoso. O PFL, partido do senador Antonio Carlos Magalhães, reivindica a posição de líder para compensar a perda de espaço com as derrotas que sofreu nas eleições das mesas da Câmara e do Senado.
O maior receio do governo é que a crise interna do Senado contamine também a Câmara e leve o Legislativo a uma crise prolongada de paralisia. O ministro Aloysio Nunes Ferreira, secretário-geral da Presidência e Coordenador Político do Governo, diz que o Senado tem a obrigação de resolver o caso do painel por tratar-se de caso ‘‘que atinge as regras do jogo de funcionamento do Poder Legislativo’’. Mas ele espera que isso ocorra o mais rapidamente possível para que a Casa ‘‘volte a trabalhar com proveito matérias importantes que estão para ser votadas’’.
A preocupação do governo toma como base o cronograma dos 19 meses de mandato que restam ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Quando lançou a agenda 2001-2002, em fevereiro, o presidente tinha em mente que o Congresso operaria a todo vapor neste semestre e até a metade do segundo semestre do ano. A partir de outubro, abre-se o cronograma eleitoral de 2002, com o fim do prazo de filiação partidária para quem quiser se candidatar no ano que vem.
A dificuldade política gerada pela crise em andamento é que o período que se encerra no final de setembro é o tempo que os partidos dispõem para fixar compromissos e promessas de parcerias e alianças eleitorais.
Depois dele, definidas as posições partidárias dos candidatos a cargos majoritários (governador e Presidência da República), os partidos devem entrar na fase de convocar convenções e preparação da campanha para as eleições gerais. Tanto sabe que esse será um período legislativamente pouco produtivo, que se aprofundará no ano da campanha, que o presidente Fernando Henrique marcou para dezembro a reforma ampla do seu ministério, para que possam deixar o governo os ministros que pretendem disputar as eleições.

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