Paixão e fanatismo podem levar à violência
Para o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner, alguns discursos atuais especialmente aqueles cujo único objetivo é a troca de ofensas revelam verdadeiro fanatismo político de quem os profere. São falas acirradas que estão na dimensão da paixão, diz ele. "A paixão é uma ideia hipervalorizada, é um pensamento que fica muito valorizado e não admite ser contrariado. Toda pessoa apaixonada fica cega e não permite que alguém contrarie aquilo que ela pensa", explica.
E a paixão é o que leva ao fanatismo, completa. "A pessoa não consegue pensar em outra coisa ou ver outras perspectivas. A paixão é o que leva ao fanatismo porque todo fanático é um apaixonado e aí está o perigo: o fanatismo justifica qualquer violência." O psicoterapeuta revela como pensam os fanáticos: "Eu estou defendendo a minha ideia e a minha ideia é a única que existe, então, tudo bem, eu posso usar quaisquer meios". Segundo Schreiner, a violência não são apenas atos físicos. "Com as palavras você ataca, humilha, desvaloriza, deprecia; isso também é violência. Violência verbal é tão ruim quanto a violência física."
O psicanalista explica que "quando uma pessoa tem uma ideia preconcebida, quando se agarra a uma ideia, vai encontrar qualquer justificativa para não se desfazer dessa ideia". "Construir uma ideia nova é trabalhoso, e, mais do que isso, é passo a passo, leva tempo, exige escutar, refletir. Agora, se apegar a uma ideia preconcebida é muito mais fácil. Manifestar-se de uma forma mais agressiva, violenta para defender essa ideia é uma forma que se tem de não se pensar", finaliza. (L.C.)





