Paiva põe cargo à disposição
O ministro do Planejamento, Paulo Paiva, colocou ontem seu cargo à disposição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o porta-voz adjunto da Presidência, Georges LamaziSre, o ministro deixa o presidente à vontade nas mudanças que deverá fazer para a escolha do ministério do seu segundo mandato. O presidente informou que o ministro, efetivamente, colocou seu cargo à disposição, disse LamaziSre. Mas é preciso lembrar que, na verdade, todos os cargos estão sempre à disposição do presidente, isso é uma coisa implícita.
Segundo LamaziSre, o presidente - sem citar nomes - afirmou que outros ministros também já tomaram a iniciativa de colocar seus cargos à disposição. Oficialmente, o primeiro a fazer isso foi o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, seguido do ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann. O porta-voz adjunto ponderou que este é um gesto automático ainda mais no início de um novo mandato presidencial. O presidente terá total liberdade para escolher os ministros que desejar.
Além de um recado claro aos ministros que ocupam atualmente cargos no governo, Fernando Henrique também insistiu que é sua a competência para a escolha dos novos ministros. E recusou-se a fazer qualquer comentário sobre a estrutura do futuro Ministério da Produção. No momento em que achar adequado, o presidente irá anunciar, tanto o formato desse ministério e da nova estrutura ministerial, como os nomes que comporão o ministério, disse o porta-voz Lamaziére. Cabe recordar, mais uma vez, que isso é da competência exclusiva do presidente da República e é ele quem vai decidir e anunciar.
O porta-voz adjunto insistiu ontem que o presidente foi eleito para governar o País e vai procurar, ele, as pessoas adequadas para as tarefas desses ministérios, tomando em consideração a base política do governo, mas sendo sempre dele a decisão final. Até agora, em discursos feitos durante cerimônias no Planalto, Fernando Henrique confirmou a permanência, no segundo governo, do ministro da Fazenda, Pedro Malan, da Educação, Paulo Renato Souza, da Saúde, José Serra e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco.
Grampo Fernando Henrique recusou-se a responder ontem às perguntas enviadas pelos jornalistas relativas à suspeita de escuta clandestina nos telefones do ministro da Administração, Bresser Pereira, e do delegado da Polícia Federal, Paulo de Tarso Teixeira, responsável pelas investigações do Dossiê Cayman. A maioria das perguntas é de caráter policial ou de questões de segurança, então o presidente não tem propriamente como opinar sobre isso, disse o adjunto LamaziSre.
De acordo com o porta-voz adjunto, o presidente apenas comentou que a maioria das escutas ilegais é feita com motivações de espionagem comercial ou outros fins desse tipo. LamaziSre consultou a Casa Militar e confirmou que, periodicamente, os telefones da Presidência passam por uma varredura, para checar a segurança das comunicações, mas não divulgou com qual frequência isso é feito. Ele disse que existe também uma rede especial de telefonia pela qual o presidente se comunica com alguns ministros.Arquivo FolhaReformaMinistro Paiva é o terceiro a se oferecer parta sair do governo FHCIsabel Braga
Agência Estado





