Países emergentes lideram protesto antiinstabilidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de outubro de 1998
Agência Estado 
A 8ª Conferência do Porto acabou servindo como pano de fundo para que países emergentes como o Brasil liderassem um manifesto político contra a instabilidade do mercado financeiro. O presidente FHC conversou longamente com os principais chefes de Estado do grupo, como o presidente do México, Ernesto Zedillo, o presidente da Argentina, Carlos Menem, o presidente do Chile, Eduardo Frei, o primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, e o primeiro-ministro de Portugal, Antonio Guterres, para se transformar numa espécie de porta-voz de uma necessidade comum.
Os emergentes querem ter crédito quando estiverem em dificuldades, taxas de juros baixas nos países industrializados e também fluxo de comércio. Não pode haver protecionismo, repetiu várias vezes FHC. Os mercados devem ser abertos, mas para todos. Eu acho que a América Latina tem muita gente que fala sintonizada com ela, disse.
O presidente do México falou em perfeita sintonia também. Conversei com o presidente Menem e ele tem a mesma idéia. Os presidente da Espanha e de Portugal também têm esse ponto de vista. Acho que houve uma espécie de cristalização de uma visão comum. Quando a visão é comum, não precisa de um porta-voz. Qualquer um que fale é porta-voz do outro, disse.
FHC confirmou que a maior parte das conversas entre os líderes ibero-americanos girou em torno da criação de mecanismos de proteção para os mercados financeiros. São idéias que estão circulando. Há várias tendências nessa direção. Aliás, eu vi hoje, não foi dito por mim só, mas foi dito pelo presidente do México, pelo primeiro-ministro de Portugal, que se é verdade que os países em desenvolvimento, os países emergentes, precisam de uma política dura do ponto de vista fiscal, os países desenvolvidos precisam de uma política keynesiana, ironizou.
O ajuste das contas públicas brasileiras que o governo está preparando pode ser insuficiente ou, no limite, inútil, se não houver socorro externo e/ou se houver uma recessão na economia mundial, que está no horizonte. É a conclusão extraída da avaliação feita pelo próprio presidente FHC sobre o quadro interno e externo, anteontem à noite, em entrevista coletiva na cidade do Porto. O presidente disse que o Brasil vai fazer o ajuste econômico, por necessidade interna, para termos condição de melhor crescimento de médio prazo.
Mas acrescentou: Achamos que não basta isso. É o momento de pensarmos em medidas de mais longo alcance, por um lado, e por outro lado mais imediatas, que se concentram nas questões do acesso a mercados e da redução das taxas de juros (em ambos os casos nos países ricos), afirmou FHC.


