Países discutem novo acordo comercial
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quarta-feira, 03 de novembro de 2004
Folhapress 
Rio de Janeiro - Os 19 países da América Latina e Central que participam da reunião do Grupo do Rio discutiram ontem a criação de um acordo comercial com os países do Mercosul e a Comunidade Andina. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já existem arranjos específicos de livre-comércio com o Chile, Guiana e Suriname. ''Estamos criando uma área de livre comércio sul-americana. Achamos que fortalecerá a região nas negociações com países desenvolvidos, além de favorecer o comércio recíproco.''
De acordo com o ministro, estatísticas do comércio exterior brasileiro com a América do Sul revelam um crescimento da ordem 60% por ano. A maioria (80%) refere-se a manufaturas. ''Em termos absolutos, só cresceu menos do que o comércio com a União Européia'', disse Amorim.
Sobre as possíveis críticas de setores industriais brasileiros, Amorim afirmou que as vantagens tarifárias virão com o tempo. E que o acordo só reforçará trocas comerciais de investimento e transferência de tecnologia que já acontecem hoje com países da América do Sul. Apesar do otimismo, o ministro reconhece que a operação exigirá cronogramas diferenciados. Ele citou o exemplo do Equador, para onde o Brasil exporta US$ 300 milhões por ano e importa apenas US$ 30 milhões por ano. ''A médio e longo prazos, estamos fazendo algo importante para a consolidação da região'', disse.
Segundo ele, as críticas são as mesmas da época de criação do Mercosul. Em menos de quatro anos, segundo o ministro, o comércio triplicou com os países membros do acordo. E mesmo com a Argentina, o comércio cresceu de 70% a 90% nos últimos anos, se aproximando dos níveis anteriores a crise de 2001.
Outra proposta discutida no encontro foi a criação de um grupo de chanceleres para ajudar na defesa da democracia no Equador. Segundo Amorim, o grupo tem uma postura de não-intervenção mas também de não-indiferença. ''A todos nós interessa a democracia e a estabilidade naquele país.''
Sobre a criação da autoridade sul-americana de investimentos, o ministro disse que a proposta ainda requer estudos mais aprofundados. Ela serviria para driblar o limite de captação de recursos de organismos como o BID, FMI, entre outros. E para oferecer alternativas para países que buscam alternativas em infra-estrutura.


