Países discutem acordo de cooperação nuclear
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terça-feira, 25 de maio de 2004
Agência Estado 
Xangai - O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, revelou ontem que Brasil e China estão discutindo um acordo de cooperação na área nuclear que poderia resultar na autonomia do Brasil na produção industrial de urânio enriquecido para fins pacíficos. O assunto surgiu em um encontro de Campos que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua visita àquele país com autoridades chinesas da área nuclear, ainda em Pequim. Segundo o ministro, desde novembro os chineses se mostraram interessados no urânio bruto brasileiro e no processo de centrifugação desenvolvido pelo País.
O Brasil, de seu lado, tem interesse em participar da construção de usinas nucleares projetadas pela China são 11 no total, 4 delas no curto prazo. ''Em novembro, eles disseram que fariam uma licitação (para as usinas), mas não queriam que isso fosse divulgado'', explicou o ministro, arrematando: ''Agora, disseram que veriam com bons olhos uma participação brasileira.'' A energia é um dos maiores problemas da China e se constitui num dos principais gargalos para o país se manter crescendo nas taxas atuais de 9,5% ao ano.
Um acordo desse gênero, se levado adiante ressaltou Campos , poderia fornecer ao País os recursos para retomada do programa nuclear e tornaria possível a produção, em escala industrial, do urânio enriquecido. O contato inicial dos dois países coincidiu com a determinação, pelo presidente Lula, de se criar um grupo de trabalho para propor, em 90 dias, saídas para ''salvar'' o programa nuclear brasileiro, parado por falta de investimentos.
Lula tomou a decisão em uma conversa no domingo à noite com Campos e com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Na conversa inicial, esclareceu, o ministro chinês de tecnologia espacial lhe perguntou sobre a disposição do governo brasileiro de exportar urânio e repassar a tecnologia para centrifugação.
''Reiterei que o Brasil historicamente não exporta urânio, por considerá-lo estratégico, e que só mantém cooperação nessa área com países que respeitam os tratados de não-proliferação'', prosseguiu, para completar: ''O ministro chinês me interrompeu para observar que a China respeita o TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear).'' Uma nova reunião sobre o assunto será realizada entre os dois países no Brasil, em agosto.


