O presidente FHC, que retorna hoje de Londres para o Brasil, passou o dia de ontem em contato com Brasília, preocupado com a repercussão da bomba sobre seu amigo Chico Lopes. Auxiliares de FHC, entretanto, insistiam em minimizar a gravidade da revelação, argumentando que Lopes poderia ter agido com ingenuidade neste episódio.
Em coletiva ontem, FHC fez todos os esforços para conclamar a opinião pública a mudar de assunto, em vez de ficar com o que chamou de ‘‘obsessão excessiva por fatos negativos, como o episódio Marka-FonteCindam. ‘‘Enquanto nós tivermos esse gosto por vivermos na beira do abismo, é prova de falta de maturidade’’, chegou a dizer.
Ao ser perguntado sobre a ação da PF na casa de Lopes, FHC respondeu: ‘‘Eu não estou no Brasil, não sei do que se trata. Fiz uma defesa da privacidade e da necessidade de que haja elementos de juízo para que as pessoas tenham a sua privacidade invadida, que não seja a partir de uma pressuposição vaga. Disse também que a demissão do presidente do BC, Francisco Lopes, foi decisão minha, juntamente com o ministro da Fazenda (Pedro Malan), em função de questões operacionais, que nada tinham a ver com quaisquer suspeitas. Foi isso que eu disse. E repito que é verdade’’.
O presidente também disse não saber ‘‘o que é a Macrométrica’’: ‘‘Quanto eu saiba, de ouvir dizer, é que é uma empresa que produzia dados. Agora, eu acho que esse não é um assunto que eu deva estar comentando, não é um assunto para mim. Não tenho mais informações’’.
Mas afirmou ser favorável à quarentena (proibição de que altos funcionários do BC assumam postos na iniciativa privada imediatamente após deixar o serviço público): ‘‘Acho que deveríamos aproveitar essa oportunidade para realmente regulamentar o Artigo 192 da Constituição que, isso sim, é um assunto que tem interesse público geral. Diz respeito à autonomia do BC’’.
Segundo afirmou, FHC também diz ser a favor de um mandato determinado para o presidente do BC: ‘‘Em princípio, sim, porque, em princípio, o mandato assegura autonomia. Mas, em algum momento, tem que dar a possibilidade de o mandato ser revogado. Em certas circunstâncias, quem está dirigindo o BC pode entrar numa linha de ação que não seja compatível com os interesses do País ou do governo’’.
E a respeito da frase do senador João Alberto (PMDB-MA), relator da CPI, que vê ameaça aos pilares da República, o presidente respondeu: ‘‘Acho que é força de expressão. Duvido que posso haver um documento que abale os fundamentos da República. A República é sólida. Temos que começar a desinflar as emoções’’.

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