País que precisa de salvadores não merece ser salvo
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segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
Esticar ao inimaginável
Em princípio estava marcado para esta terça-feria (11), depois de suspense, a unção de Fernando Haddad, o Andrade, como é chamado no Nordeste, como o regra três de Lula. Mas os acróbatas insistem em esticar o fio e na segunda (10) falava-se em novo documento da ONU, como se tivesse força, além do aspecto moral, para ter efeitos internos, o que é um outro debate e que nada tem a ver com a interdição que se faz de um condenado em disputar uma eleição presidencial, como se a civilidade o permitisse. Desde o princípio dessa novela sabem o PT e seus advogados e dirigentes que a tese era mais do que careta, ainda que sob o ponto de vista da mobilização eficaz no sentido de manter acesa a chama do político mais messiânico do Brasil, o que se valia inclusive do aparatoso bivaque dos seguidores em seu acampamento no entorno da prisão.
O atentado contra Bolsonaro é de efeitos colaterais mais eficazes do que essa resistência: o brasileiro curte o vitimalismo como decorrência de sua religiosidade e - por que não dizer? - de seu sentimentalismo e pieguice. A notícia de uma nova cirurgia aprofundou essa tensão desse país fantástico em que as suas mais idolatradas candidaturas presidenciais, a principal na prisão e a oposta em dura situação num hospital, é que sustentam o imaginário dominante.
País que precisa de salvadores não merece ser salvo e essa deformação é uma constante em nossa história, posto que às vezes tente o papel um ator pop como Collor ou um shakespeareano como Getúlio Vargas, autor da frase bufa "esse povo de quem fui escravo jamais será escravo de ninguém", isso escrito à véspera do suicídio. Hamlet ou Macbeth jamais cederia a tamanha cafonice. E sobre essa condicionante do salvador e do homem providencial dá para recorrer ao que Galileu Galilei, em Brecht, levantou em torno da recorrência de heróis.
Qual o maior sofredor
Quem afinal de contas é mais sofredor? Lula preso e fazendo política 24 horas por dia ou Jair Bolsonaro submetido à nova cirurgia? O efeito sadomasoquista dita quem mexe mais com o jeitão de ser do público. Qual das cotações está mais em alta, na de Lula há mais racionalidade, na de Bolsonaro o próximo estágio é a catarse, aquela religiosa, que os fanáticos confundem com a graça.
Evangélico
O leilão do Evangélico e de sua escola de Medicina em Curitiba está marcado para 28 de setembro: os participantes pagarão 5 milhões de caução e o preço mínimo está fixado em R$ 205 milhões.
Roubalheira
As grades que protegem os terminais de transportes estão sendo sistematicamente roubadas e a prefeitura de Curitiba anota um prejuízo acumulado de R$ 19 mil. Em julho levaram das canaletas 32 grades e em setembro 96.Cada lance de grade vale R$ 150. Na quarta-feira passada conseguiram flagrar um desses ladrões. Como é que pode uma ousadia dessas num aparato público sem vigilância? Cadê a Guarda Municipal ?
Haja tese
Temos um florigélio acadêmico a ser surfado na onda do possível valor vinculante da decisão da ONU sobre Lula: o ministro Ricardo Lewandowski, em tese de doutoramento, defendeu essa pertinência, e o decano Celso de Mello adota posição radicalmente oposta. Se nada render, alem de mais um suspense, terá o seu valor acadêmico.
Psiquismo
A Polícia Militar, preocupada com casos visíveis de patologia psíquica ou de extrema agressividade como os anotados nos últimos dias, como o da morte de três milicianos em Ivaiporã e episódios como o de segunda-feira (10) em Colombo e outros com característica semelhante em Curitiba e em cidades do interior, acionou o alarme de prevenção como ficou visível em entrevista coletiva.
Mata Atlântica
O Ministério Público do Paraná, motivado pelo fato de que no governo Beto Richa foram batidos todos os recordes de devastação da mata atlântica, está desenvolvendo uma ação em 15 unidades federativas para adoção de medidas corretivas. Uma questão fundamental, pela extensão da área, seria conter a construção da paralela litorânea que alcança a Ponta do Poço em Pontal do Sul. Por sinal que não se sabe se o ex-diretor do DER, Nelson Leal, delator, se referiu ao projeto em questão.
Lava Jato
Para os políticos, genericamente atingidos pela Lava Jato, a eleição é uma forma de resposta à sua atuação. É que pelo menos 19 réus e 12 acusados disputam o pleito e muitos deles com amplas condições de se reelegerem como Aécio Neves e Gleisi Hoffmann. Só que esses dois perceberam que não seria fácil uma disputa majoritária para o Senado, daí preferirem tentar a Câmara Federal.


