Leandro Donatti
De Curitiba
O consultor norte-americano do ‘‘Programa do Conselho da Europa’’, que investiga a corrupção e a lavagem de dinheiro na Europa Oriental, Stanley Morris, disse ontem em Curitiba que o Brasil tem se tornado ponto importante da rota de lavagem. Segundo o especialista, que deu palestra ontem para um grupo de juízes federais, a inflação vivida em anos anteriores e o crescimento do narcotráfico deram impulso à lavagem.
Para Morris, o governo brasileiro demorou muito em tipificar a lavagem como crime. Ressaltou, no entanto, que o governo começa a tomar atitudes para combater o problema. ‘‘Várias decisões foram tomadas a partir da lei 9.613 de março de 1998 (que dispõe sobre os crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores). Uma delas a criação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Os bancos estão sendo obrigados a selecionar melhor seus clientes’’, afirmou.
De acordo com Morris, a lavagem no Brasil serve em primeiro lugar à sonegação fiscal. A corrupção viria em segundo plano. Seguida do narcotráfico, hoje alvo de investigação da CPI; e de fraudes e produtos falsificados. ‘‘Fica um pouco difícil avaliar o quadro brasileiro, até por que não vivo aqui. Mas o que se percebe é que o problema da lavagem e da droga tem crescido no Brasil’’, sinalizou ele.
Tatiana Muniz Alves, assessora do COAF, participou do debate com Morris ontem. Ela disse à Folha que o conselho foi instalado em Brasília, em agosto, e que até o momento foram registradas 300 denúncias levantando suspeitas de lavagem no Brasil. ‘‘Já conseguimos mexer em 50 delas. Não posso revelar os resultados, até por uma questão de segurança do programa’’, adiantou a assessora. Segundo Tatiana Muniz Alves, a lavagem de dinheiro com origem no narcotráfico tem se acentuado nos últimos anos. ‘‘Segundo dados do Fundo Monetário Internacional, o narcotráfico movimenta hoje de 2% a 4% do PIB mundial’’, estimou ela, sem precisar números.

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