Pais de Gouvêa recorrem a dom Albano em manifestação
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Era para ser uma manifestação de familiares e amigos do vereador afastado, mas a iniciativa em prol de Rodrigo Gouvêa (PRP), ontem à tarde, na Câmara de Londrina, acabou ofuscada pela presença de uma figura aparentemente inusitada no meio dos manifestantes: calado, no meio do grupo, estava o arcebispo emérito da cidade, dom Albano Cavallin - que, há pouco mais de nove anos, esteve nas galerias do Legislativo também, como ele próprio fez questão de lembrar, quando da cassação do então prefeito Antonio Belinati (PP).
A diferença é que, em junho de 2000, dom Albano apoiava a ação dos promotores que subsidiaram ainda que indiretamente, com as ações contra Belinati, o julgamento político do ex-chefe do Executivo Municipal na Casa. Agora, o arcebispo pede chance de defesa ao vereador que, acusado de corrupção passiva, peculato e improbidade administrativa pelo Ministério Público (MP), está preso há 10 dias e corre o risco de também ser alvo de cassação na Câmara.
O presidente do Legislativo, José Roque neto (PTB), comunicou ontem oficialmente o plenário sobre o afastamento de Gouvêa, determinado sexta passada pelo juízo da 7 Vara Cível, e abriu prazo de 48 horas para convocação do suplente do vereador, o advogado Zaqueu Berbel. Também ontem, a Mesa recebeu oficialmente a representação do corregedor Rony Alves (PTB) na qual ele aponta conduta incompatível com o decoro parlamentar, por parte de Gouvêa, por conta da suposta contratação de assessora ''fantasma''.
Alves pede abertura de processo de cassação contra o parlamentar, pena prevista no Código de Ética para a situação relatada na representação. A medida foi encaminhada à Procuradoria Jurídica do Legislativo, que tem sete dias para se manifestar.
Na manifestação de ontem, à qual compareceram os pais, os irmãos, outros familiares e amigos dos pais de Gouvêa, faixas de protesto foram levadas à Câmara e, na sequência, fixadas no jardim que faz frente ao prédio antigo do Fórum, onde fica a 4 Vara Criminal - de onde partiu, dia 13 passado, o decreto de prisão preventiva.
Apesar de aparentar desconforto, dom Albano, nas entrevistas concedidas na Câmara, disse ter sido procurado anteontem pelos pais de Gouvêa, na casa dele, e admitiu ter pesado o fato de ambos participarem de movimentos da Igreja.
Indagado sobre os ex-vereadores presos e afastados na Legislatura passada, justificou-se: ''Se as outras pessoas tivessem me convidado, eu teria vindo também. Os outros casos célebres que houve nesta Câmara, os promotores foram à minha casa. Defendo que é a justiça em primeiro lugar, mas bem livre de injunções políticas''.
O arcebispo - segundo o qual a presença dele ontem lá foi ''por conta própria'', sem orientação da Igreja - não defendeu suposta inocência do vereador, mas, sim, o direito de ele se defender em liberdade.
''Como é que uma pessoa vai se defender prisioneira?'', questionou. Mesmo com quatro advogados? ''Falo da defesa pessoal. Está havendo injustiça na rapidez de prisão; não é natural isso. Tenho medo que tenha se misturado a ela um elemento político também.''
Ao final, contudo, dom Albano fez uma ressalva: ''Vim hoje (ontem) por conta própria, por amor à Justiça, e se por acaso ele (Gouvêa) for condenado, retamente, que ele não conte comigo''. O arcebispo não acompanhou a manifestação de familiares do vereador no Fórum.


