Quando as urnas forem fechadas no fim da tarde deste domingo, o País completará 113 anos de eleições presidenciais diretas, desde que os militares mandaram para o exílio o imperador dom Pedro II e puseram no comando o primeiro presidente do regime republicano, o marechal Deodoro da Fonseca, em 15 de novembro de 1889.
Nem de longe isso significou 113 anos de democracia. Até hoje, o Brasil teve 34 presidentes, mas o direito de indicar nas urnas quem comanda o governo foi interrompido por duas juntas militares, nos anos 30 e 60. Daqueles 34, apenas 15 foram diretamente eleitos. Somados os períodos de exceção, nada menos que 47 anos transcorreram em regime autoritário, sob o comando de presidentes que, mesmo quando de origem democrática, foram eleitos por via indireta.
O marechal Deodoro da Fonseca, que tomou posse no mesmo dia em que desbancou do trono o imperador dom Pedro II, tratou de legitimar seu mandato em 1891, mediante voto indireto do Congresso Constituinte. Renunciou em novembro desse ano, depois de fechar o Congresso e tentar um golpe de Estado.
Seu sucessor, Floriano Peixoto, também era militar. Governou mais três anos, de 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894, e entregou o governo do País a um presidente civil, o primeiro da história republicana, conforme mandava a Constituição. Seria o paulista Prudente de Morais, que presidiu os destinos do Brasil de 1894 a 1898.
Começava um período que ficou conhecido como Primeira República, que durou 41 anos e foi derrubada por um golpe que, em outubro de 1930, levou ao poder o gaúcho Getúlio Vargas. Getúlio enfrentou uma rebelião dos paulistas que, em 1932, foram à luta armada por uma Constituição. Os combatentes perderam, mas a Constituição veio em 1934. Durou apenas três anos, porém.
De 1937 a 1945, Getúlio Vargas governou o País com mão-de-ferro mas o final da 2 Guerra Mundial devolveu aos brasileiros o direito de votar. A rotina foi novamente quebrada em 1964, quando os militares voltaram ao poder e ali ficaram por 21 anos, até 1985.
O País saiu desse período com uma eleição indireta, que levou ao poder o mineiro Tancredo Neves. Hospitalizado e morto antes da posse, Tancredo foi substituído por José Sarney, seu vice. Em 1989, assumiu outro presidente eleito, Fernando Collor de Melo. Desde então, foram duas eleições, vencidas por Fernando Henrique Cardoso.

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