Técnicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que estão investigando a suposta violação do sistema de votação do Senado encontraram arquivos ‘‘escondidos’’ no programa usado para registro dos votos. Segundo Dirceu Matos, presidente da comissão que apura o caso, são arquivos que não haviam sido detectados em teste feito no painel de votação há duas semanas.
‘‘Isso pode ser suspeito, mas pode não ser’’, diz Matos. ‘‘De imediato, isso não significa nada.’’ Para Matos, os arquivos tanto podem ser gavetas que estavam em desuso e por isso não haviam aparecido como podem realmente guardar dados que mostrem que o sistema foi violado.
A investigação começou há três semanas por causa de uma conversa do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) com procuradores da República. De acordo com o procurador Luiz Francisco de Souza e a revista ‘‘Istoɒ’, ACM disse que possuía a lista com os votos dos senadores na sessão que aprovou a cassação do mandato de Luiz Estevão.
A descoberta fez o grupo da Unicamp retornar ontem a Brasília para novos testes, o que deve atrasar a conclusão do exame. O relatório esclarecerá a possibilidade de as senhas de acesso ao painel terem sido usadas por funcionários do Centro de Informática e Processamento de Dados (Prodasen) e da Panavídeo, empresa responsável pela parte de manutenção, para a criação de um software (programa) pirata.
Esse programa pode ter sido instalado para mudar a estrutura original do software e, como isso, tornar possível a identificação dos votos dos senadores, segundo explicações de Matos. Ele acrescentou que as senhas para a operação do sistema eram usadas de forma ‘‘coletiva’’. ‘‘Senhas individuais eram repassadas a alguns funcionários para que eles operassem o sistema ou fizessem a manutenção.’’ Pelo menos cinco servidores do Prodasen, além de contratados pela Panavídeo, tiveram acesso a esses códigos.

mockup