Painel eletrônico cria polêmica e sai de pauta
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quinta-feira, 17 de junho de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A polêmica em torno da aquisição de um painel eletrônico para a Câmara de Vereadores de Londrina dominou ontem os debates no expediente da sessão que antecede a pauta do dia. Como consequência, o projeto que havia sido aprovado em regime de urgência e em primeira discussão na terça-feira, acabou sendo retirado ontem da ordem do dia, por tempo indeterminado, a pedido dos membros da Comissão de Ética da Casa.
Os vereadores se mostraram surpresos com a repercussão do fato na mídia e na comunidade. O projeto retirado de pauta previa uma complementação orçamentária de R$ 200 mil. Além do painel eletrônico, a verba seria destinada também à compra de uma nova central telefônica para o prédio do Legislativo.
Para o presidente da Comissão de Ética, vereador Roberto Kanashiro (PSDB), o presidente da Casa, Orlando Bonilha (PL) teria se precipitado ao anunciar uma medida que sequer passou pelo crivo de técnicos da Câmara Federal, os quais, de acordo com ele, se propuseram a analisar a situção da Câmara local e avaliar que equipamento seria, de fato, necessário. ''O presidente não entendeu bem o que a Comissão queria. Por enquanto, não dá para falar nem em valores, nem em modelos'', destacou, frisando que ''pode ser sugerido até algo mais simples que um painel, tal como um monitor''.
Kanashiro reforçou ainda que, mais que ajudar na contagem dos votos dos 21 vereadores, o equipamento garantirá maior transparência das ações parlamentares à população, uma vez que serão disponibilizados via internet, para consulta, no site da Câmara.
Na opinião do vereador Rubens Canizares (PHS), essa será a maior vantagem do futuro dispositivo. ''Com ele, os votos serão todos nominais'', apontou. De acordo com Canizares, já houve situações de projetos polêmicos que, junto à comunidade, alguns vereadores teriam mentido o voto dado no Plenário. Ele não citou nomes.
Apontado pelos colegas como vítima e, ao mesmo tempo, causador da polêmica, Bonilha não soube dizer de que forma haviam sido definidos, sem parecer técnico, a compra do painel e os valores. Ontem, chegou a dizer que custaria, ''em média, R$ 80 mil''. ''O painel é só um acessório, uma coisa não depende da outra'', desconversou. O vereador discordou que tenha sido precipitado, mas admitiu que se expressou ''equivocadamente''.
''Na verdade, esse painel vai é controlar a frequência dos colegas, já que muitos, como o nosso vice-presidente, faltam ou entram e saem fora do horário das sessões'', criticou, referindo-se ao vereador Henrique Barros (PMDB).
Barros negou a acusação. ''Quando há votações importantes e necessárias, estou presente'', rebateu. Firmemente contrário ontem à aquisição do painel e questionado sobre o motivo de ter sido favorável na primeira discussão, foi taxativo. ''Foi só para não atrapalhar o trâmite do projeto'', resumiu Barros.


