O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), disse ontem que ‘‘lamentavelmente o sistema de votação secreta do Senado é vulnerável’’. ‘‘Há possibilidade de, inclusive, adulterar os votos dos senadores’’, afirmou Jader. O senador acrescentou ainda que os técnicos da Unicamp que fizeram a perícia no sistema de votações concluíram que é possível a identificação dos votos dos senadores. Diante deste quadro, o presidente anunciou que até à modificação do sistema para aumentar o nível de segurança das votações não haverá votação secreta uitlizando-se o painel eletrônico.
As votações secretas, segundo ele, serão realizadas com a utilização de urnas ficando o painel eletrônico reservado apenas para as votações nominais. Ele ressaltou, no entanto, que não foi possível verificar se houve violação da votação da sessão secreta que aprovou a cassação de mandato do ex-senador Luiz Estevão em 28 de de junho de 2000. Segundo ele, o que se sabe é que pode ter havido fraude naquele ou em outro episódio mas o laudo deixou em aberto a possibilidade de ter havido violação porque os técnicos não conseguiram apontar a fraude naquela sessão específica.
O coordenador da equipe da Unicamp, professor Álvaro Costa, detalhou, em entrevista coletiva, alguns dos 18 pontos de vulnerabilidade do sistema eletrônico: os votos dos senadores podem ser alterados mediante a utilização da senha do parlamentar e da senha de acesso ao painel eletrônico; as senhas dos senadores estão arquivadas no sistema o que permite que uma pessoa com acesso tenha conhecimento destes códigos; com a votação secreta em curso, é possível tirar uma lsita com os votos dos senadores; os cabos das redes que interligam os terminais estão instalados em locais de fácil acesso, o que permite que uma pessoa tenha acesso às informações secretas com o grampeamento desses cabos, o que possibilitaria até mesmo alteração dos votos.
O laudo será encaminhado ao conselho de ética e decoro parlamentar e para a corregedoria do Senado para dar subsídios às investigações sobre as investigações das acusações sobre a violação do sistema de votação. O conselho de ética, se reuniria ontem no fim do dia, para analisar o pedido de cassação do senador Antônio Magalhães, por quebra de decoro parlamentar. O requerimento foi apresentado pelas oposições, com base em reportagem publicada pela revista ‘‘Istoɒ’, segundo a qual ACM teria dito possuir a lista dos votos dados por todos os senadores na sessão secreta em que foi cassado o mandato do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF), em 28 de junho.
ACM se defendeu ontem dizendo que a perícia feita pela Unicamp não comprovou a tese de que ele teria violado o sistema, o que, portanto, segundo ele, é um sinal de vitória. Na versão de ACM, ‘‘ficou comprovado que ninguém mexeu no painel’’. ‘‘Portanto, as representações contra mim deixam de ter importância’’, acrescentou.

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