Painel do Senado permite quebra de sigilo de voto
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sexta-feira, 02 de março de 2001
Ibsen Costa Manso Agência Estado De Brasília 
A empresa fabricante e a que atualmente faz a manutenção do painel de votação do Senado confirmaram ontem que tecnicamente o sistema permite alterações de software que possibilitariam quebrar o sigilo do voto secreto. Alterando o programa, seria possível até mesmo mudar o próprio resultado das votações. Mas apenas o relatório da perícia que está sendo realizada para apurar o caso poderá comprovar se essas modificações foram mesmo realizadas.
A Panavídeo Eletrônica, responsável atual pela manutenção, e a Elizeu Kopp, que desenvolveu o sistema, negam que tenham feito qualquer alteração que possibilitasse a fraude. Todas as mudanças no programa do painel foram acompanhadas e aprovadas por técnicos do Serviço de Processamento de Dados do Senado (Prodasen). Ontem, foi anunciado o afastamento da diretora-executiva do Prodasen, Regina Peres Borges.
A suspeita de que o sigilo das votações foi quebrado surgiu a partir de declarações do ex-presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) a procuradores federais. ACM teria afirmado conhecer o voto contrário da senadora Heloísa Helena (PT-AL) à cassação do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF). O que deixa sob suspeição o processo de votação secreta é o fato de que a empresa de manutenção foi trocada no ano passado sem licitação e sem qualquer aviso prévio, afirmou o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Segundo Barbalho, o afastamento da diretora do Prodasen nada tem a ver com o caso. Foi uma decisão administrativa, disse.


