Curitiba - O pai do deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) que é prefeito de Guarapuava, Fernando Ribas Carli (PSB), relativizou a quantidade de multas recebidas pelo deputado, que dirigia com a carteira de motorista suspensa quando se envolveu em um acidente que resultou na morte de outros dois jovens. O prefeito alegou que várias pessoas utilizavam a caminhonete e que, na área urbana, basta estar um pouco acima da velocidade para ser multado. A entrevista foi concedida à FOLHA por e-mail.
Folha de Londrina- Como a família vê a repercussão do caso na sociedade?
Fernando Ribas Carli - Somos parte da sociedade. Estamos estarrecidos com toda essa situação. Não desejamos que ninguém passe pela dor que estamos passando. Vendo o nosso filho neste estado, quase desfigurado, lutando para sobreviver, e outros dois jovens, também filhos, perderem suas vidas. É uma dor que parece não ter fim, porque quando você vê o teu filho, imediatamente você lembra dos outros rapazes. Conhecemos o Fernando. Ele é uma pessoa de muitos amigos. E todos que o conhecem sabem disso. Nunca fez mal a ninguém. Também estamos sofrendo com isso, pela dor que ele está sentindo, de saber que ele, Fernando, sempre quis fazer o melhor possível e de repente, numa esquina, a vida assume um curso inesperado. Não desejamos isso a ninguém.
Havia conhecimento da suspensão da carteira de motorista do deputado? E da quantidade de multas? Essas multas referem-se a que faixa de velocidade? O deputado chegou a recorrer dessas multas?
O Fernando sempre cuidou de seus negócios. Ele comentava que estava recorrendo de multas e que muitas pessoas usavam a camionete, pois o gabinete na Assembleia Legislativa não tem carro de trabalho. A circulação de pessoas que vêm do interior e precisam de atendimento é muito grande. Mas, pelo que fomos informados agora, as multas anunciadas vêm desde 2003 e a grande maioria dentro da cidade, da área urbana, ou seja, locais onde basta passar um pouco acima da velocidade permitida para ser multado. Também há multas no estacionamento do Estar. Além disso, quando saía com o carro, ele não usava motorista e o telefone tocava a todo momento. Para completar, ele assumiu uma tarefa dentro do seu partido, PSB, de ajudar na reconstrução de diretórios em mais de 70 municípios. Para atender a esse chamado ele vinha fazendo de 1.000 a 1.500 quilômetros de viagens pelo interior por semana. Toda sexta-feira de manhã ele ia a Guarapuava fazer um programa de rádio ao vivo, passando o fim de semana em visita aos municípios e retornava nas primeiras horas da manhã de segunda-feira a Curitiba. Na Assembleia, o trabalho avançava a noite, atendendo pessoas.
Na opinião da família, o que aconteceu significa quebra de decoro parlamentar?
Não paramos para analisar essa situação ainda. Nosso filho está dentro de uma UTI, passou por 14 horas de cirurgia. Desde o dia 7, vivemos dentro de um hospital, fazendo o possível para salvar a vida do nosso filho. A vida dele neste momento é o mais importante. E qualquer pai pensaria assim numa situação dessas.
Vocês pretendem conversar com as famílias dos dois rapazes vítimas do acidente?
Sugeriram que publicássemos mensagens em jornais, que outras pessoas falassem em nosso nome com os pais dos dois jovens. Não aceitamos isso porque é uma missão que temos que cumprir: com muita dor, com muito sofrimento e somos pais, somos humanos, e sabemos a dor que as famílias estão passando. Neste momento, estamos vivendo a mesma tragédia, e eu e minha mulher estamos tentando também encontrar forças para sobreviver. E se Deus quiser, logo teremos forças para encontrar as duas famílias atingidas, que devem também ter a dimensão daquilo que estamos passando.
Como a família está avaliando as investigações?
Soubemos do acidente por volta das 10 horas da manhã do dia 7. A polícia, os bombeiros, o hospital, todos ficaram esse tempo todo sozinho com o Fernando, que estava internado, em estado de coma, na condição de ''não identificado''. Ninguém sabia se era deputado, filho de prefeito. Era um acidentado ''não identificado'' totalmente à disposição dos médicos e das autoridades judiciárias. Gostaria de abrir um espaço aqui para agradecer e enaltecer o trabalho do Hospital Evangélico de Curitiba. O trabalho deles é de extrema competência e foi determinante para salvar a vida do nosso filho. A transferência para o Albert Einstein foi uma indicação médica, e não opção particular da família. Quanto às investigações, só agora estamos constituindo um advogado para cuidar do caso oficialmente. Ele está responsável por isso. Como disse, nossa prioridade é a vida do nosso filho.

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