Pai de santo diz que fizeram 'macumba' contra Temer
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Isadora Peron, Vera Rosa e Carla Araújo<br>Agência Estado 

Brasília - O suposto pai de santo Uzêda, que roubou a cena da convenção do PMDB em Brasília, nessa terça-feira (19), ao subir no palco e "benzer" o presidente Michel Temer, disse que fizeram uma "macumba" contra o peemedebista.
"Fizeram um trabalho de vodu, por isso que ele teve a doença. O trabalho que fizeram contra o doutor Michel era para ele morrer no hospital", disse ele. Em outro momento, Pai Uzêda disse que veio "benzer o presidente porque o PT fez macumba contra ele".
Na semana passada, Temer passou por um novo procedimento cirúrgico. Nessa terça, o presidente chegou a cancelar a participação na convenção, o que aumentou as especulações sobre o estado de saúde do peemedebista.
Quando assessores do presidente viram o pai de santo no palco com Temer, ficaram assustados e pediram para que o homem fosse retirado do local. Temer, um pouco constrangido, sorriu e chegou abrir os braços para receber o "passe".
Vestido de branco e segurando ramos de uma planta chamada guiné, "usada contra morte e doença", o pai de santo disse que esteve no Palácio do Jaburu e no gabinete de Temer no Palácio do Planalto e que foram encontrados "quatro bonecos" de vodu contra o presidente.
"Eu fui defumar, benzer, tirar tudo. Era uma urucubaca brava ali", contou. Bastante agitado, ora dizia ter sido contratado por "dona Marcela" ora pelo PMDB. Questionado há quanto tempo conhecia a primeira-dama, disse apenas que ela era "linda, maravilhosa".
"Jogaram pesado contra o presidente. Muita macumba contra ele, contra (o presidente da Câmara) Rodrigo Maia e contra toda a cúpula do PMDB, o assunto é sério", afirmou.
O pai de santo, que diz ser da "umbanda da linha branca", usava um crachá de "convidado" da convenção. O PMDB negou que tenha contratado os serviços do pai de santo.
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República afirmou que não procedem as informações dadas mais cedo por Roberval Uzêda ou Pai Uzêda, de que ele teria benzido os gabinetes do presidente Michel Temer.
DILMA
Essa não é a primeira vez que Pai Uzêda vira notícia em Brasília. Em março de 2015, o pai de santo invadiu o Palácio do Planalto para, segundo ele, tentar alertar a então presidente Dilma Rousseff em relação a Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Nove meses depois, o então presidente da Câmara autorizou a abertura do processo de impeachment, o que levou à saída da petista da Presidência.
Pai Uzêda também costuma circular pelo Congresso Nacional e já foi candidato a deputado federal e a vereador no Rio pelo PP.
MUDANÇA DE NOME
Para um auditório esvaziado, o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), anunciou ontem que os integrantes do partido aprovaram a mudança do nome para MDB (Movimento Democrático Brasileiro), como era chamado durante o regime militar.
O MDB foi criado em 1966, para fazer oposição à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que dava sustentação à ditadura militar. O fim do bipartidarismo, em 1979, levou à reorganização do quadro partidário e fez o MDB virar PMDB. A mudança do nome, às vésperas do ano eleitoral, é uma estratégia para dar uma repaginada na sigla após Michel Temer assumir a Presidência da República.


