'Pago o preço por livrar o Brasil do PT', diz Cunha
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segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Reportagem Local 

Brasília O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) negou ter contas na Suíça e acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de perseguição por ele ter aceitado o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). "Eu estou pagando o preço de ter o mandato cassado por ter dado continuidade ao processo de impeachment, isso é público e notório. É o preço que estou pagando para o Brasil ficar livre do PT", discursou na tribuna da Câmara dos Deputados, que votaria na noite de ontem (12) o parecer do Conselho de Ética que recomendava a cassação do mandato de Cunha. Até o fechamento desta edição a votação ainda não havia começado.
A sessão foi marcada por várias manobras de aliados de Cunha, como o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) que recorreu ao Plenário na tentativa de submeter a decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), com efeito suspensivo.
Eduardo Cunha fez a sua defesa da tribuna da Câmara fazendo críticas ao PT e acusando o Supremo Tribunal Federal (STF) de dar um tratamento diferenciado aos inquéritos abertos contra ele no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. Segundo o peemedebista, o chamado "petrolão" é um esquema criminoso para financiar campanhas do PT e que a sua cassação vai ser usada pelos petistas para falar que o impeachment de Dilma Rousseff foi um "golpe". "A minha cassação é um troféu para dizer que foi dado um golpe na presidente (Dilma). Golpe é usar o dinheiro da Petrobras para apagar de caixa dois de campanha", disse.
Ele também afirmou que houve uma diferença de tratamento com relação a ele e os demais parlamentares alvos da Lava Jato, inclusive o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo ele, o prazo médio para o STF aceitar uma denúncia são 660 dias, e que a dele foi aceita em menos de 60 dias. Ele afirmou também que até agora só tem dois parlamentares réus no STF por causa da Lava Jato, ele e o deputado Nelson Meurer (PP-PR).
Ao negar contas na Suíça, Cunha disse que o trust não lhe pertence. "Quero saber qual é a conta, qual é o número da conta? Que conta é essa que você não consegue movimentá-la", disse.
O peemedebista também afirmou que peça de acusação do Ministério Público Federal não pode servir como base para processo por quebra de decoro. "Não dá para trazer para apreciação do Conselho de Ética investigações do STF", disse.
AS DENÚNCIAS
Contas na Suíça: Cunha é acusado do recebimento de 1,3 milhão de francos suíços (R$ 5,2 milhões) para viabilizar aquisição de um campo de petróleo em Benin (África), pela Petrobras, em 2011. A propina teria abastecido contas secretas na Suíça, usadas, segundo o procurador-geral da República Rodrigo Janot, para bancar luxos da família de Cunha. Ele virou réu, por unanimidade, no dia 22 de junho de 2016.
Navios-sonda: peemedebista teria recebido US$ 5 milhões resultantes de contratos entre Petrobras, Samsung e Mitsui. Cunha é acusado de atuar para viabilizar a propina a políticos ao pedir investigações sobre os pagadores na Câmara. Virou réu na ação, acolhida por unanimidade pelo STF em março de 2016.
Porto Maravilha: teria recebido cerca de R$ 52 milhões das empreiteiras que atuavam na obra do Porto Maravilha (RJ). Recursos seriam vantagens indevidas pela aquisição de títulos da prefeitura pelo Fundo de Investimentos do FGTS.
A denúncia foi oferecida no dia 10 de junho de 2016, mas o STF ainda não decidiu se será acolhida. Deputado afirma que não recebeu vantagens indevidas e diz que a Procuradoria-Geral da República é seletiva em relação a ele.
Lava Jato: outros inquéritos apuram o uso do mandato para beneficiar aliados; há também um pedido de inquérito em sigilo. O pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República ainda não foi avaliado pelo STF, que ouvirá a defesa de Cunha. Ação de improbidade na Justiça Federal do Paraná ordenou o bloqueio de bens e a suspensão dos direitos políticos por dez anos; deputado recorreu. (Com Folhapress, Agência Estado e Agência Câmara)


