Curitiba - Para a delegada da Polícia Federal (PF), Renata da Silva Rodrigues, não há dúvida da participação direta do presidente afastado da Odebrecht no pagamento das propinas. Ela lembrou que Marcelo Odebrecht era identificado nas planilhas apreendidas como MBO (Marcelo Bahia Odebrecht) ou como DP (diretor- presidente). As investigações apontaram ainda que ele era o responsável direto pelo pagamento de propina a João Santana, que atendia pelo codinome "Feira" nas planilhas do Setor de Operações Estruturadas. Uma das tabelas mostra pagamento de R$ 1 milhão a Santana no dia 13 de novembro de 2014. Segundo os investigadores, esse pagamento seria um compromisso assumido pela empreiteira durante as últimas eleições presidenciais como contrapartida por contratos obtidos junto à Petrobras.
A procuradora do MPF Laura Gonçalves Tessler também não tem dúvidas da participação de Marcelo Odebrecht nesse esquema sofisticado e estruturado de pagamento de propinas. "Era uma estrutura montada dentro da estrutura da Odebrecht, com funcionários destinados exclusivamente para pagamento de propina, muito bem remunerados para isso, que movimentava uma quantia muito expressiva de recursos, com contas no exterior", comentou. "É impossível que exista toda essa prática organizada, esse pagamento com volumes expressivos e o presidente não tenha conhecimento", explicou.
O Setor de Operações Estruturadas da construtora utilizava um sistema informatizado próprio para armazenar os dados referentes ao processamento de pagamentos ilícitos e para permitir a comunicação reservada entre os executivos e funcionários envolvidos nas tarefas ilegais. Além disso, para viabilizar a comunicação secreta entre executivos, funcionários da empreiteira e doleiros responsáveis por movimentar os recursos, utilizava-se outro programa, em que todos se comunicavam por meio de codinomes. Além disso, os "pagamentos paralelos" eram feitos em dinheiro e os envolvidos se encontravam em hotéis ou flats. (A.D.C.)

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