O presidente nacional do PMDB, deputado federal Paes de Andrade, afirmou ontem, em Brasília, que não mudará a pauta da convenção extraordinária do partido, marcada para 8 de março, para incluir a discussão sobre sua permanência no cargo. Segundo Paes, a convenção foi marcada para discutir o lançamento ou não de candidatura própria à Presidência. ‘‘Nunca ocorreu fato tão irracional quanto este’’, afirmou o deputado, declarando que o estatuto do partido não permite que a executiva inclua nem elimine itens na pauta de uma convenção aprovada por mais de um terço de seus presidentes regionais.
Paes de Andrade classificou de ‘‘grupo adesista, minoritário e dissidente’’ os peemedebistas que apóiam a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, referindo-se à tentativa da ala governista - liderada pelos ministros Eliseu Padilha (Transportes) e Íris Rezende (Justiça) - de afastá-lo da direção do partido.
O senador e postulante do PMDB ao Palácio do Planalto, Roberto Requião, que participou com Paes de Andrade da solenidade de posse da nova diretoria da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), informou que, em pesquisa feita em novembro e dezembro do ano passado, 85% dos delegados se disseram favoráveis ao lançamento da candidatura própria pelo partido.
Requião comparou a tentativa de substituição da presidência do PMDB à ‘‘Noite dos Longos Punhais’’ e disse que o grupo que a defende é de ‘‘inspiração hitlerista’’. ‘‘Trata-se de meia dúzia de pessoas com cargo no governo e que quer resolver seus problemas individuais’’, declarou o senador. Ele negou, no entanto, que estivesse pregando a expulsão de membros do partido. ‘‘Como bom cristão, eu espero primeiro o arrependimento, a confissão, a penitência e, depois, pensamos na absolvição dessa gente.’’
Listando o nome de Requião, e dos ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney como postulantes a candidatos à Presidência pelo PMDB, Paes de Andrade afirmou que uma eventual candidatura do partido ‘‘não será isolada nem solitária’’ e reafirmou a intenção de montar uma aliança, que incluiria também o PT. ‘‘O Lula já falou que não se sentirá diminuído em apoiar o PMDB, se o partico apresentar um projeto para a Nação que se afine com o PT’’, comentou.
O deputado reafirmou seu apoio a uma candidatura peemedebista e, reconhecendo a divisão dentro do partido, disse que lutará contra o grupo que quer a união com o PSDB em torno da campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Eles querem vender, alugar, doar a legenda’’, declarou. ‘‘O PMDB está dividido e só espero que o partido não rache’’, disse.

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