Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Briga de foiceRequião e Paes reagem à ala governista e defendem que o PMDB tenha candidatura própria: Rezende e Padilha são contraO presidente nacional do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), deseja que os ministros da Justiça, Íris Rezende, e dos Transportes, Eliseu Padilha, filiados ao partido, deixem os cargos quando for publicado o edital da convenção nacional que decidirá sobre o lançamento ou não de um candidato próprio à Presidência do República. Para o presidente do PMDB, ‘‘Rezende e Padilha devem se valer do prestígio pessoal que possuem ao tentar influenciar os votos dos convencionais e não do prestígio assegurados pelos ministérios que ocupam’’.
Andrade espera convocar a convenção ainda este ano. Antes, ele quer ouvir os presidentes regionais e os três pré-candidatos, o ex-presidente Itamar Franco e os senadores José Sarney (AP) e Roberto Requião (PR). A proposta para a saída dos ministros peemedebistas, discutida por Paes de Andrade e o senador Requião em almoço ontem, é uma reação à decisão da ala governista do partido de promover encontro com os presidentes estaduais do PMDB para demonstrar apoio à candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Essa reunião foi desgastante e desnecessária’’, afirmou Andrade. ‘‘Mas não iremos permitir que se criem cavalos-de-tróia dentro do PMDB. Segundo o deputado, a convenção deverá adotar uma decisão ‘‘livre de pressões internas e externas’’.
Ele antecipou que colocará em prática o que os convencionais decidirem. Quem não quiser obedecer à decisão do encontro, poderá ser expulso do PMDB. ‘‘Não admitirei, em nenhuma hipótese, que se rasgue o resultado da convenção’’, garantiu. ‘‘Ou a dissidência sai do partido ou terá que enfrentar um processo de expulsão.
Paes de Andrade disse que 14 presidentes regionais do PMDB o procuraram para dizer que não participaram da reunião governista, realizada na última quarta-feira. Entre eles, os de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Segundo Andrade, o fato desmente a informação dos governistas de que 19 presidentes teriam atendido ao convite para participar do encontro de apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Temer O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), disse ontem que vai pedir aos ministros do PMDB que se demitam do cargo caso o partido decida, em convenção nacional, lançar candidato próprio à Presidência da República em 1998. Temer, que rejeita a tese de candidatura própria, vai defender o apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso na reunião do Conselho Político do partido, provavelmente em novembro.
‘‘Fica bem eticamente para o PMDB, perante a opinião pública, se ele tiver candidato próprio, que saia imediatamente do governo’’, disse Temer. ‘‘O que não pode é ficar no governo e lançar candidato próprio’’, completou o peemedebista em resposta à cobrança de Fernando Henrique de uma posição clara do PMDB sobre as eleições do próximo ano.
Para integrantes da ala governista, o partido, em caso de apoio à reeleição de Fernando Henrique, poderia ampliar o número de ministros no governo. Atualmente, o PMDB tem três ministérios (Justiça, Transportes e Secretaria de Políticas Regionais).
Temer disse ainda que instalará na próxima semana comissão especial para analisar a proposta de reforma política. Entre os temas que entrarão em discussão está o fim do segundo turno para as eleições do poder executivo. O deputado Arthur Virgílio (AM), secretário geral do PSDB, informou que a diretoria do partido vai se reunir em setembro para discutir se apóia a extinção do segundo turno. Ele disse que o PSDB está dividido sobre a proposta. Temer e Virgílio participaram ontem no Rio de seminário da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

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